Sharp Objects (Objetos Cortantes) é uma minissérie do canal HBO dirigida por Jean-Marc Valleé, baseada no livro homônimo de Gillian Flynn. A história contada é a de Camille Preaker (Amy Adams), uma jornalista designada a cobrir dois assassinatos de adolescentes em sua cidade natal. Um grande suspense psicológico é construído através das memórias de Camille ao ser confrontada com os crimes e, principalmente, com seu passado.

A ideia de formato de séries limitadas, ou minisséries, está presente há um bom tempo, e a HBO acertou em cheio em suas duas últimas produções desse tipo: Big Little Lies, e agora, com Objetos Cortantes, ambas dirigidas pela mesma pessoa. Possuir um tempo estendido para contar a história sem a necessidade de inserção de material desnecessário, como acontece em séries de várias temporadas, é claramente um lugar confortável para o diretor, que consegue conduzir a trama de maneira muito eficiente. É quase impossível, em época de binge-wathcing, resistir a assistir todos os episódios de uma vez só, apesar de que o ato de esperar tornar a experiência ainda mais tensa.

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Uma obra desse formato alinhado a uma boa história de base, atrizes gigantes nos papéis principais e a liberdade criativa que é característica da HBO não tinha muito como dar errado. Amy Adams entrega uma personagem quebrada e cicatrizada de maneira magistral, seus traços psicológicos são percebidos não somente em momentos de grande tensão emocional, mas também nos olhares perdidos e momentos de silêncio. Patricia Clarkson e Eliza Scanlen não ficam para trás com os papéis de mãe e irmã de Camille Preaker, que agregam muito à trama. Os momentos de conflitos e desconfortos familiares são memoráveis e tão difíceis de assistir quanto as grotescas cenas que envolvem os assassinatos.

A construção narrativa é muito bem costurada, cada elemento está, de alguma maneira, somando à história. A mansão em que a família vive é uma metáfora direta sobre a vida da família e da comunidade como um todo. O abatedouro de porcos como a principal fonte de empregos e renda da cidade é um recorte sobre as relações de poder presentes naquele espaço tão veladamente conturbado. Estes e muitos outros detalhes são cruciais para a complexidade da série e merecem a devida atenção, pois a tornam algo muito maior que uma simples obra a ser assistida e esquecida.

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Dos outros aspectos técnicos o que mais chama a atenção é a montagem. Inserções do passado de Camille são apresentados ao público por meio de cortes rápidos, quase como relances de canto de olho. No início da série, quando não se está acostumado com a linguagem utilizada, é comum não ter certeza sobre o que é ou não real nos pontos de vista da protagonista, o que gera certos momentos quase assustadores, somando à atmosfera desconcertante da narrativa. O trabalho de fotografia e som são de altíssimo nível, a iluminação direta sobre a lente junto à trilha dissonante com instrumentos como xilofone trazem à tona uma sensação constante de pesadelo para a soturna cidade de Wind Gap.

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Sharp Objects é uma série que deixa o espectador na beira do sofá do início ao fim, sempre com o desconforto sentado ao seu lado. A história definitivamente não é para pessoas fracas de estômago, mas com certeza vale um esforço para se chegar ao final (que é maravilhoso, mas sem spoilers). Vale ainda reassistir a série enquanto se espera pela próxima obra de Jean-Marc Valleé, para que se possa captar todos os detalhes escondidos pela trama.

 

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