The Handmaid’s Tale é uma série original produzida e exibida pela plataforma Hulu, e distribuída no Brasil através do canal Paramount. Ela conta a história de Offred, uma aia da sociedade fundamentalista cristã Gilead, liderada por um governo tirano formado por elites religiosas e econômicas. As aias têm o objetivo de reprodução dessas elites, gerando filhos dos patriarcas, já que a fertilidade desta sociedade foi reduzida por algum incidente (que os fundamentalistas interpretam como um castigo divino).

A série te fará chorar e querer desligar a televisão ou o computador e testará seus limites a cada episódio, mas aqui estão cinco motivos para assistir e resistir:

5. Fotografia

O trabalho de fotografia dialoga completamente com toda a atmosfera da sociedade. Assim como as aias, temos pouco campo de visão, não temos acesso completo às informações que circundam as personagens, isso é alcançado através da baixa profundidade de campo em conjunto com planos próximos. Os planos gerais, que são responsáveis por apresentar Gilead ao público reforçam a opressão, ao colocar as personagens à frente de muros enormes manchados de sangue.

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4. Profundidade de personagens

Cada personagem central tem sua própria história contada ao longo da série, cada um com suas particularidades, mas nenhum personagem é simples. Longe disso. Existem camadas e mais camadas dentro de cada aia, Martha, general ou comandante. Essa profundidade permite uma aproximação e extrema empatia (que é frequentemente utilizada para quebrar nossos corações), assim como o reverso no caso dos antagonistas. E cada personagem é brilhantemente representado através do trabalho de atuação, que é o próximo ponto.

3. Atuação

Mesmo em uma sociedade onde todos são forçados a agirem de maneira igual, dentro dos conformes ditados pelo regime ditatorial e fundamentalista de Gilead, conseguimos captar a individualidade de cada personagem apresentado. Isso não seria possível sem a profundidade antes citada, mas principalmente, sem a brilhante atuação de cada ator e atriz. Os traços e característica de cada nome está sempre presente, assim como toda a bagagem de seu passado e de suas convicções. Muitas vezes as personagens se comunicam através de olhares e gestos sutis, e mesmo assim, captamos perfeitamente a mensagem. O que nos leva à construção narrativa.

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2. Construção Narrativa

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Não adianta de nada ter um bom roteiro em mãos e não saber contar a história. E Handmaid’s Tale sabe, e sabe muito. A história tem peso, cada episódio deixa o(a) espectador(a) com o coração na mão e os nervos no máximo. As pequenas vitórias das personagens se constroem minuciosamente durante a história. Nada parece forçado ou apressado (vantagem de séries em relação a filmes), tudo flui em seu tempo, deixando quem assiste completamente envolto na história. É comum encontrar pessoas que deixaram de assistir a série por não aguentarem o peso da narrativa, e isso só pode ser alcançado com uma brilhante construção. Esse peso é comumente gerado pela possiblidade de conexão que se cria entre a trama e nossa realidade, que é o último e mais importante motivo para assistir a série.

1. Temática e atualidade

É estranho pensar que uma série tão distópica possa se aproximar de nossa realidade, mas infelizmente é o caso. É constante a percepção de paralelos entre a narrativa e os tempos em que vivemos. É notável o crescimento das ideologias conservadoras extremistas pelo mundo, sejam elas religiosas, sociais ou comportamentais. Temos como exemplo as manifestações neo-nazistas ocorridas em Charlottesville nos Estados Unidos; o ódio aos refugiados na Europa, representado pela nacionalista francesa Le Pen, ou através do Brexit no Reino Unido. O fato é que existe uma guinada para a direita e para o conservadorismo em escala global. Essa onda chegou ao Brasil com força em 2018, e ameaça a liberdade de grandes parcelas da população, e é curioso pensar que assim como na série, são as mulheres do país que estão à frente da resistência. Nunca (ou pelo menos desde 1964) as discussões sobre feminismo, minorias, totalitarismo e fundamentalismo se mostraram tão necessárias no Brasil, quanto com a recente ascensão dessas ideologias no país. Handmaid’s Tale projeta um futuro fantasioso (mas nem tanto) para sociedades que se deixam levar por esses princípios, e presta, assim, um magnífico serviço que somente a arte pode prestar.

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1 COMENTÁRIO

  1. Adorei os motivos, descreve perfeitamente o sentimento do telespectador. O mais legal foi conseguir enxergar agora o quão a fotografia está atrelada ao enredo da série. The Handmaid’s Tale veio para mostrar o quão a arte pode imitar a vida #resistiremos

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