Já foi o tempo dos contos de fadas em que princesas esperavam por príncipes encantados para salvá-las, e o final feliz para elas era o casamento. Assim como já foi o tempo em que princesa tinha de ser branca como a neve. Hoje a princesa é negra e tem mais com o que se preocupar do que casamento e príncipe salvador. Ela, sim, é a salvadora. E não de uma vida, mas de toda uma comunidade. Ou de um reino, como é o caso de Preta de Ébano, personagem-título do livro de Gisela de Castro, que escreveu a obra inspirada no questionamento da filha: “Existem princesas negras?”. E a autora encontrou o parceiro ideal para a empreitada: o ilustrador Jefferson Batista, que aceitou de cara a tarefa de ilustrar o livro.

Chamou a atenção de Jefferson a princesa negra, como ele. O ilustrador – que nasceu em Carpina, Pernambuco – ficou ainda mais encantado com o fato de ela não estar “à espera de um príncipe e salvar seu povo com a ajuda de outras mulheres pretas”. O trabalho dele foi detalhista e criativo. Construiu cenários com algodão, arame, isopor, papel, madeira, tecido…

“As árvores são de algodão; as nuvens, de isopor; o rio é feito de gel com um pouco de tinta azul; e a grama é uma toalha verde”, explica o artista, que espera estimular a criatividade das crianças, quando elas perceberem que os materiais usados nas ilustrações são todos familiares. “Dá pra criar coisas com esses materiais que todo mundo tem em casa”, empolga-se Jefferson. Ele destaca também os figurinos inspirados no maracatu rural e os penteados femininos todos diferentes, mostrando toda a diversidade e riqueza da cultura negra.

O livro será lançado numa manhã de autógrafos, bate-papo e pocket show, no próximo dia 6 de novembro, às 11h30, no quiosque Arab da Lagoa, que fica na Av. Borges de Medeiros, sem número, ao lado do Parque dos Patins. O show fica por conta da cantora e atriz Luiza Loroza, que estrelou a peça originada do livro, que teve direção de Natália Balbino e trilha sonora composta por Maíra Freitas. Luiza vai cantar justamente as músicas da peça, que foi encenada no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, e no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes.

Sobre a história

Preta de Ébano é muito mais do que uma princesa. Quando a chegada de um ardiloso forasteiro ameaça o reino tranquilo da jovem, ela embarca em uma jornada heroica para salvar seu povo. Com muita coragem e pelo poder da orientação ancestral, a princesa mergulha na pesquisa da magia das ervas e do tempo, sob a orientação de três sábias senhoras.

O poder feminino negro é o protagonista dessa história, em que estão representadas várias mulheres pretas: mães, filhas, professoras, cientistas, heroínas. O livro traça também um paralelo com os tempos atuais. A princesa se isola com as sábias para encontrar – por meio dos saberes ancestrais sobre o poder de cura das plantas – a salvação para os problemas do reino. Exatamente como os pesquisadores se debruçam sobre a ciência para produzir vacinas e medicamentos capazes de vencer a Covid-19. A autora, que é bióloga de formação, sempre se interessou pelos conhecimentos científicos e, como destacado pela diretora da peça, admira trabalhos como o da dra. Jaqueline Goes de Jesus, biomédica baiana, negra, de 31 anos, coordenadora da equipe que sequenciou o genoma do coronavírus em 48 horas, tempo recorde em relação a outros países.

“Preta de Ébano” assume a responsabilidade de dialogar com o público infantojuvenil para colaborar com a formação de uma geração que reconheça a igualdade de gênero, sem preconceito racial e com respeito à ciência.

A autora

Gisela de Castro nasceu em Santa Teresa, no Rio de Janeiro-RJ. É multiartista, produtora, sócia e diretora artística da Editora Zucca Books e da Zucca Produções, desde 2003. Licenciada em Ciências Biológicas pela UFRJ, estudou Metodologia do Ensino na Unicamp e agora é mestranda em Mídias Criativas no PPGMC da ECO/UFRJ. É autora contratada da Agência Riff, inaugurada em 1991, que representa grandes nomes da literatura brasileira e as principais editoras no Brasil e em Portugal. Recebeu prêmios como atriz e escritora, e foi finalista do Prêmio Jabuti 2020, pelo livro “Um voo sobre as capitais brasileiras” (2019). Em 2017, lançou “A asa da borboleta e outras sutilezas”, com ilustrações de Anna Bella Geiger. Para 2021, tem ainda dois títulos criados na quarentena: “A curiosidade matou o gato?”, com ilustrações da luso-brasileira Luci Vilanova, e “Leon”, em parceria com Guto Lins. “Preta de Ébano”, lançamento da Zucca Books em novembro de 2021, virou peça homônima com várias temporadas previstas em modos presencial e virtual.

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