Mantendo seus esforços na produção não apenas de séries, mas filmes de qualidade ímpar, a empresa norte americana nos brinda desta vez com a adaptação do conto 1922, que narra os desdobramentos do ato, no minimo impensado, de um fazendeiro no interior dos E.U.A.

Devo dizer que, para quem já havia visto IT – Uma Obra Prima do Medo (em suas duas versões), Pet Sematary, Carrie a Estranha e A Espera de um Milagre após a leitura dos livros, ter visto o filme da sem a exata idéia do que relata o conto foi de certa forma libertador, no sentido de não me prender a detalhes não adaptados e situações não citadas, me deixando simplesmente levar pela história. Nela, somos apresentados a uma família vivendo em sua fazenda no início da década de 20 sob desacordo: o sogro de Wilfred James (Thomas Jane) falece, deixando a sua filha, Arlette James (Molly Parker), 40 hectares de terra a serem somados aos 30 do casal.

Enquanto o desejo da esposa é vender as terras herdadas (de SUA propriedade), mudar para a cidade grande e montar uma boutique (temos vislumbres durante o filme de que a mesma, além de excelente costureira, tem bom gosto pra jóias e até mesmo para “vestir” tanto o esposo quanto o filho), Wilf – como é chamado seu esposo – deseja manter a pacata vida de fazendeiro. Enquanto isso, o filho do casal, Henry é alheio a esta situação, vivendo o cotidiano da própria fazenda, dividido entre as tarefas diárias, a escola, e sua paixão de adolescente – Shannon Cotterie (Kaitlyn Bernard), filha do fazendeiro vizinho.

O que vemos a partir daí é a tensão crescer, e Wilf se aproveitando da inocência de seu filho, acaba por maquinar um plano pra manter as coisas nos seus “lugares”. O filme então passa a tratar sobre a forma como cada um lida com as consequências de seus próprios atos e como suas atitudes se desenrolam e impactam as pessoas que amam. Cabe observar aqui a tensão crescente no relacionamento da família, e a forma como o próprio King em seu conto nos leva a conviver com o elemento “fantástico”, aterrador e desconcertante, bem como a forma como esse elemento desencadeia toda uma trama dentro da própria história.

Com excelente fotografia, aproveitamento impecável da luz local, atores em boas atuações, e utilizando de maneira absurdamente positiva de uma questão do conto que pode ser fóbica para muitos, só o que pode ser citado como um ponto negativo deste filme é uma característica inerente ao próprio King – e se você, leitor já teve em suas mãos alguma obra deste EXCELENTE escritor, saberá do que estou falando: Não importa o destino final da viagem, mas sim, o deslocamento que se faz ate ele: Todo o trabalho de apresentação de personagens, bem como a condução da história é feita de forma a prender o expectador, porem o final, para alguns, pode ser decepcionante – o que não diminui, em nada, a experiencia que o filme em si oferece.

Por fim, cabe elogiar novamente a Netflix, que ao nos brindar com essa produção, dá ao público não só o melhor lançamento de outubro até então (esperemos, com forte esperança o que vem aí em Stranger Things) – como uma das melhores adaptações em tela do mestre do terror Stephen King. Por fim, estoure uma pipoca, arranje boa companhia e divirta-se nesta viagem, caro leitor!

Por Diogo Garcia.


 

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