Uma exploração absorvente e instigante de como indivíduos e uma sociedade tentam se reconstruir após o terrorismo. 22 de Julho evita o sensacionalismo em seu retrato dos devastadores ataques de 2011 na Noruega que deixaram 77 mortos.

Assim como seu United 93 e o Capitão Phillips, o cineasta Paul Greengrass pegou uma história verídica e aterrorizante, sugerindo que a resposta de uma comunidade ao terror pode ser tão crítica para uma democracia quanto os próprios ataques.

A nova produção da Netflix começou a ser transmitida na plataforma hoje (04). A conscientização do público sobre os ataques de 2011, que também foram dramatizados no Festival de Cinema de Berlim, está dividida em dois lados.

Alguns espectadores ficaram curiosos para ver como o Greengrass lidou com a situação, enquanto outros decidiram que não querem suportar um assunto tão desagradável.

O retrato realista e despojado de Greengrass confere ao filme uma universalidade urgente

Com cerca de 150 minutos, 22 de Julho dedica seus primeiros 30 minutos aos ataques coordenados que atingiram o centro de Oslo. Assim como um acampamento de verão para adolescentes na ilha de Utøya.

O responsável é Anders Behring Breivik (Anders Danielsen Lie), um fanático de direita. Ele acredita que está travando uma guerra para acabar com a ascensão da imigração na Noruega. Isso enquanto cuidadosamente prepara seus ataques.

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Depois que ele é preso, o filme muda para dois tópicos narrativos separados: O advogado Geir Lippestad (Jon Øigarden) defende o terrorista desafiador em seu próximo processo judicial, enquanto Viljar (Jonas Strand Gravli), um estudante promissor, passa por fisioterapia dolorosa depois de mal sobreviver ao massacre da ilha.

É uma triste realidade da vida moderna que 22 de Julho exala com uma familiaridade assustadora. Greengrass frequentemente trabalha em documentários dramáticos, mas a apresentação sombria dos assassinatos a sangue frio de Breivik (com carros-bomba e armas) ecoa muitas representações da vida real (e cinematográficas).

Além disso, o drama legal do filme chama a atenção para um retrato realista e despojado. Podemos ver uma universalidade urgente que sublinha o fato de que o extremismo se tornou um problema global compartilhado.

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22 de Julho mostra que os desafios do combate ao terrorismo são os mesmos, não importa onde ocorram.

Greengrass recria economicamente o plano diabólico de Breivik, e o ataque do terrorista à ilha é tratado com fineza, sem diminuir a violenta carnificina que este assassino causou.

Gravli traz um real sentimento ao seu papel como o profundamente abalado Viljar. O pobre passa a viver assombrado por sua experiência de quase morte. Este sub-enredo ocasionalmente se transforma em um clichê melodramático. Mas a história de Viljar dá às vítimas do terrorismo uma face humana, ilustrando as persistentes feridas psicológicas que não cicatrizam.

E Øigarden interpreta soberbamente um homem que despreza seu cliente, mas sabe que ele deve lhe dar uma defesa adequada. Em parte, porque Lippestad precisa acreditar que Breivik não conseguiu derrubar o Estado de Direita.

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22 de Julho oferece vislumbres de esperança que devem sobreviver. A crença na humanidade, na liberdade e na decência moral prevalecerá. Isso mesmo em meio aos terríveis atos de terror em todo o mundo.

Mas Greengrass fecha seu filme em uma nota supremamente verdadeira. “Estes são tempos difíceis”. O poder da produção decorre de seu reconhecimento de que aqueles tempos podem estar conosco sempre. Tempos estes que testam constantemente nossa determinação diante de tanto mal.

 
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