O mais novo filme de ficção científica da Netflix é, na verdade, uma crítica social à violência de policiais contra jovens negros nos Estados Unidos. O título assemelha-se muito na construção da problemática ao longa e livro “O Ódio que Você Semeia” de Angie Thomas. Mas A gente se vê ontem traz algo a mais, que é a temática da viagem no tempo.

Dois melhores amigos, Claudette ‘CJ’ (Eden Duncan-Smith) e Sebastian (Dante Crichlow), são verdadeiros prodígios. Eles conseguem inventar mecanismos que possibilitam a viagem no tempo. E, após muitas tentativas falhas, eles finalmente realizam o primeiro salto. A partir daí, os clássicos alertas começam a ser dados: a interferência em eventos do passado pode mudar drasticamente o futuro.

O roteiro de Fredrica Bailey e Stefon Bristol constrói um prólogo consistente e interessante, mas o drama logo toma conta da narrativa. O irmão de CJ, Calvin Walker (Parish Bradley), é assassinado por policiais e a garota decide voltar para o momento do ocorrido e impedir que aquilo aconteça.

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A gente se vê ontem ao mesmo tempo que entretém, alerta

A questão da violência contra jovens negros é muito presente não só nos Estados Unidos, como em vários outros locais do mundo. Mas, cada vez mais, vemos esse tipo de crítica tomando espaço nos meios de entretenimento. A direção de Stefon Bristol, junto à produção de Spike Lee, conseguiu passar perfeitamente o drama que essas pessoas vivem todos os dias. São amigos, parentes e conhecidos sendo mortos por uma entidade que deveria significar proteção.

Tanto roteiro, quanto direção e produção foram muito consistentes em sua construção e apresentaram um projeto envolvente. A utilização da temática ficcional de viagem no tempo foi uma escolha muito sábia. Uma vez que a atenção do espectador é capturada, as críticas começas a ser inseridas.

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Todos os aspectos do filme conversam entre si

A gente se vê ontem possui um momento de introdução do tema, que captura a atenção, o início do drama e, finalmente, seu desenvolvimento e clímax. Cada um deles foi vivido perfeitamente nos rostos dos atores. É inquestionável a competência de Eden Duncan-Smith, Dante Crichlow e todos os seus colegas de cena.

Além disso, a fotografia aberta possibilita cortes de cena muito interessantes. Ainda, temos um figurino que representa a personalidade de cada um dos personagens. Por fim, um cenário típico das ruas estado-unidenses completa o visual. Entretanto o foco aqui são bairros e casas mais pobres, não as representações suburbanas com as quais estamos acostumados.

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Enfim, o filme pode não tocar alguns visto que é uma temática muito mais social do que científica em si. Mas é sim um título que deve estar na sua lista. Talvez sirva de abertura para o contato com o drama real que esses jovens sofrem. Como dica para outro longa caso esse tenha o agradado, deixo o que citei acima, O Ódio que Você Semeia.

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Uma obra prima da Netflix, filme com história bem construída e entrelaça a ciência e violência contra o jovem negro americanos. Fotografia perfeita, cortes interessantes e uma direção primorosa.
    Parabéns aos envolvidos.

    • Sem contar que é interessante como a direção tratou sobre a viagem no tempo, dificilmente perde a teoria construída. e abre espaço para novas teorias de desfecho do trama principal.
      Será que C.J está presa num loop eterno?
      Será que entra “paradoxo” do destino, alguém próximo a CJ tem que morrer pra completar a linha do tempo?

      E por aí vai…

  2. Pra quem não teve a sensibilidade de entender o final desse filme … Saiba que esse final aberto nada mais é do que uma crítica ao sistema. Não adianta quantas vezes você tente voltar e mudar o passado, sempre estarão sendo duros e truculentos com os negros. Mas a não desistência da personagem CJ, retrata todos aqueles que nunca desistem, custe o que custar, não deixarão que destruam sua história, seu passado … O filme é realmente incrível. Personagens ótimos, cenário, figurino, iluminação, referências .. perfeito!

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