A Tenente de Cargil é um filme indiano, dirigido por Sharan Sharma e protagonizado por Janhvi Kapoor. É inspirado na vida de Gunjan Saxena, a primeira piloto de combate da Força Aérea na Índia. Estreou na Netflix no dia 12 de agosto e tem classificação de 14 anos. 

Enredo

Gunjan tem o sonho, desde criança, de ser piloto de avião. Por conta de alguns imprevistos, ela não consegue fazer o curso de piloto e seu sonho parece cada vez mais distante. Mas, quando a IAF (Força Aérea Indiana) abre inscrições, pela primeira vez, para mulheres, ela vê o seu sonho de pilotar bem perto, outra vez, mesmo que não seja um avião. Assim, ela se torna a primeira mulher da Força Aérea do país a ir para a guerra e a única mulher a fazer parte da Guerra de Cargil. 

Elenco e Personagens

Gunjan (Janhvi Kapoor) é uma mulher forte, corajosa e muito determinada. Contra a reprovação de muita gente, ela segue seu sonho de ser piloto. Enfrenta seus familiares, como seu irmão e sua mãe, o machismo de seus companheiros de base, de seu superior e de um país inteiro. É uma personagem inspiradora, não só uma heroína nacional, mas também um símbolo da luta contra o sexismo e uma inspiração para as mulheres que seguem carreiras ditas como “masculinas” e “proibidas” para elas. Kapoor faz um excelente trabalho. Ela passa muito com pouco, consegue transmitir toda a emoção da personagem com apenas um olhar. A atriz faz uma bela construção de personagem, tem carisma e consegue cativar e conquistar o público.

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Pankaj Tripathi interpreta Anup Saxena, pai de Gunjan. É um oficial do exército aposentado, muito orgulhoso da filha, que sempre tirou as melhores notas na escola. Quando Gunjan revela que deseja ser piloto, o pai é o único a apoiá-la. Ele é a base emocional da filha, sempre a apoiando e a ajudando a seguir seus sonhos, contra tudo e todos. Tripathi faz um bom trabalho e tem uma atuação convincente. Sua relação com Gunjan é muito bonita e os atores mostram sintonia em cena e passam verdade. 

Kirti Saxena (Ayesha Raza Mishra) e Anshuman Saxena (Angad Bedi) são, respectivamente, a mãe e o irmão de Gunjan. Ao contrário do pai, nunca apoiaram seu sonho de ser piloto e, para piorar, o irmão, com seu discurso machista, tentando “protegê-la”, tenta, algumas vezes, fazê-la desistir da IFA. Os atores fazem atuações razoáveis. Vineet Kumar Singh interpreta Dileep Singh, um dos superiores de Gunjan na Força Aérea. É machista, não acredita no potencial da protagonista e tenta, o tempo inteiro, junto com os colegas de Gunjan, sabotá-la em seus treinamentos. O ator faz um trabalho convincente, constrói um personagem um tanto repulsivo, que consegue despertar a indignação e até a raiva do espectador. 

Direção e Fotografia

A direção faz um trabalho bom, principalmente com os atores. As cenas em que os personagens discriminam Gunjan são bem dirigidas, mesmo que um pouco exageradas. As cenas de guerra também são bem feitas. A narrativa é muito dinâmica e deixa o filme com bastante fluidez e prende o espectador, o tempo todo. Mesmo em suas quase 2 horas, o longa nunca se torna cansativo. Ele começa no exato momento em que Gunjan é chamada para iniciar sua missão na guerra e, antes que comece, volta 15 anos no tempo e mostra nossa protagonista criança, em 1984, no momento em que desperta nela seu sonho de se tornar piloto de avião.

O roteiro tem um grande acerto ao mostrar várias fases de Gunjan (da infância à fase adulta), até chegar ao momento em que ela combate na guerra. Isto faz o público se sentir mais próximo à personagem e ter mais empatia por ela. O filme tem um roteiro bem construído e consegue desenvolver bem a personagem principal. O humor, algumas vezes utilizado, no início do longa, funciona e é uma forma interessante de deixá-lo um pouco mais leve. O machismo é bem retratado no filme: quando Gunjan chega, só há um banheiro (masculino), então ela fica sem um lugar para se trocar e precisa se virar para se arrumar para os treinamentos, além de sofrer diversas outras humilhações, como olhares e o fato de ser diminuída e ignorada, o tempo inteiro.

A produção tem uma grande valorização da cultura indiana, desde a trilha sonora ao figurino, além das belas paisagens da Índia. A fotografia varia um pouco, durante a obra: na casa de Gunjan, as cenas tem tons coloridos e um tanto quentes; quando ela vai para a IFA, ganham tons mais azulados e frios, meio acinzentados. 

Cenografia e Figurinos

Grande parte das cenas acontece na casa de Gunjan e na base da Força Aérea Indiana. Algumas acontecem na escola da protagonista e outras durante a Guerra de Cargil, com muitos momentos de tiros e explosões. Muitas cenas acontecem no ar, é claro, com a personagem pilotando. O figurino varia entre roupas tradicionais da Índia, uniformes do exército e da Força Aérea. 

A Tenente de Cargil é um ótimo filme, com boas atuações e um roteiro muito bem escrito. Apesar de ser baseado em uma história real, é claro que alguns eventos são ficcionais, mas nada que tire a credibilidade do longa. A produção tenta, em diversos momentos, exaltar a Índia e seus heróis nacionais, mas, em momento algum, tira o brilhantismo e o protagonismo de Gunjan.

É um filme feminista, que critica de forma pontual o machismo, exalta os feitos de uma grande mulher e deixa a mensagem de que, independente do gênero, as pessoas podem ter as profissões que quiserem e realizar seus sonhos. 

E você? Já assistiu A Tenente de Cargil? Conte pra gente o que achou!

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