Adú é um filme de drama espanhol, dirigido por Salvador Calvo, escrito por Alejandro Hernández e estrelado por Moustapha Oumarou, Luis Tosar, Álvaro Cervantes, Anna Castillo e Adam Nourou. Estreou na Netflix dia 30 de junho e tem classificação de 12 anos.

Enredo

Adú relata três histórias diferentes: a primeira e mais importante é a do protagonista que leva o nome do filme, Adú, uma criança pequena que, após ser testemunha de dois assassinatos, junto com sua irmã mais velha, precisa fugir de seu país. Outra trama que acompanhamos é a de Mateo, um policial que se sente culpado por encobrir o homicídio de seu colega de trabalho. E, por último, conhecemos Gonzalo, um espanhol que trabalha em uma ONG de elefantes, na África, e, além de muitos problemas com os guardas locais, ele ainda precisa se resolver com sua filha, que acaba de chegar da Espanha. 

Elenco e Personagens

O elenco foi bem escolhido e é um dos pontos fortes do filme. Adú (Moustapha Oumarou), sem dúvidas, é o grande destaque. Com um carisma inegável e um talento surpreendente para tão pouca idade, ele se sai muito bem em todas as cenas. O ator não conquista o público apenas com a sua fofura: Oumarou vai além e consegue fazer um ótimo trabalho. Ele passa verdade, convence e emociona. Adú é um menino pobre, que vê sua vida piorar e mudar drasticamente após testemunhar dois assassinatos. Junto de sua irmã e, mais tarde, de um novo amigo, ele tenta sair do país para sobreviver. Em uma jornada emocionante, ele sofre com a fome, a sede e o frio, mas encontra em sua amizade com Massar a esperança para continuar e buscar uma vida melhor. Juntos, eles tentam, assim como muitos outros, cruzar a fronteira para a Espanha. 

Massar (Adam Nourou) conhece Adú em uma delegacia e, juntos, fogem da polícia e começam uma aventura para chegar à Espanha. Massar é um garoto corajoso, que passa a cuidar de Adú e protegê-lo. Nourou faz um belo trabalho. Sua atuação é convincente e a química com Oumarou é inegável, os dois se dão muito bem em cena. A amizade construída entre os personagens é muito bonita e passa verdade.

Mateo (Álvaro Cervantes) é um policial espanhol que cuida da fronteira entre Marrocos e Espanha. Uma noite, em uma tentativa de conter diversos imigrantes que tentavam passar pela cerca, um de seus colegas acerta a cabeça de um homem e o mata. O caso vai parar na justiça e Mateo se sente culpado, sem saber se entrega o assassino ou não. Apesar de não ter grande destaque no filme, Cervantes faz um bom trabalho e passa veracidade como um policial amargurado e arrependido.

Gonzalo (Luis Tosar) se mudou da Espanha para Camarões e cuida de diversos elefantes, em uma reserva florestal. Com um temperamento difícil, ele não se dá bem com os guardas locais e nem com os habitantes. Seu relacionamento com a filha também não é bom, embora eles tentem se resolver. Tosar faz um ótimo trabalho e sua atuação é convincente. Sandra (Anna Castillo) acaba de chegar da Espanha, para passar um tempo com o pai. É uma garota amargurada, com diversos problemas, inclusive com drogas. Culpa o pai por tê-la deixado sozinha com a mãe, quando criança, e não tem uma boa relação com ele. Castillo faz um bom trabalho e constrói uma personagem interessante. Ela e Tosar trabalham bem juntos e a relação entre pai e filha passa veracidade.

Direção e Fotografia

A direção de Salvador Calvo é segura e muito boa. Apesar de Adú não ser um grande filme, sua direção é um dos pontos fortes. A narrativa da obra é outro destaque: é fluida, muito dinâmica e prende o espectador o tempo todo. Apesar de ter essas três tramas diferentes para acompanhar, ela não se perde nem se torna confusa. O destaque negativo vai para o roteiro: infelizmente, Hernández não foi muito feliz em sua construção. As tramas de Gonzalo, Sandra e Mateo parecem ser descartáveis, em nada acrescentam à história central. A trama dos policiais, apesar do bom trabalho de Cervantes, é muito rasa e pouco trabalhada. Não se sabe como aconteceram as investigações, não tem explicações, apenas poucas palavras e um julgamento. Nada mais.

A trama de Gonzalo e Sandra é mais trabalhada e o roteiro consegue mostrar bem o relacionamento entre eles. Apesar disso, a sensação que fica é de que não há relação com o resto do filme e que foi apenas para “encher linguiça” mesmo. A fotografia é um destaque positivo: em muitas cenas, consegue ressaltar ainda mais a emoção, a agonia e a tensão presentes. A cena do mar é uma das que mais impressiona: é bem tensa e de uma verdade impressionante. 

Cenografia e Figurinos

A maior parte das cenas acontecem nas ruas de diversas cidades africanas. Algumas acontecem na Espanha e, também, na casa de Gonzalo. Os figurinos são bem diversificados: muitos uniformes (dos guardas e dos policiais), roupas de frio e de calor. O figurino de Massar e Adú está sempre rasgado e sujo.

Adú é um filme muito bonito, com uma fotografia bem feita e com ótimas atuações. Apesar disso, falha ao não conseguir focar de fato no tema central do longa: imigração. O roteiro fraco não consegue tratá-lo com a importância que realmente deveria e o assunto fica raso. Adú consegue emocionar, prender e entreter, mas isso se deve, principalmente, ao brilhantismo de Moustapha Oumarou que, mesmo tão pequeno, consegue se destacar e roubar a cena. 

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