Inspirado em um dos contos de As Mil e Uma Noites, o filme Aladdin foi originalmente lançado em 1992 pela Disney como um animação. Neste ano, em 23 de maio de 2019, chegou aos cinemas uma nova e incrível versão em live-action, com Guy Ritchie (Snatch – Porcos e Dimantes) na direção.

Confira o trailer da produção logo abaixo:

Sobre o Enredo

A trama repete a história dos anos 90: um jovem que rouba para sobreviver descobre uma lâmpada mágica cujo gênio lhe concede três desejos. Sua ideia é usá-los para poder se aproximar de Jasmine, a princesa por quem se apaixonou, mas nada será tão fácil pois o sultão exige que ela se noive de um príncipe. Enquanto isso, o mal está a espreita e pode colocar a vida de todos em perigo.

A narrativa traz novamente boas lições morais, com os riscos do poder em mãos erradas, a importância do amor verdadeiro, da amizade e da luta contra tradições retrógradas que não mais representam seu povo. Entretanto, não é no já conhecido enredo que está a graça do filme, e sim em sua apresentação.

Direção e Fotografia

Em um ano no qual nos cansamos da onda dos live-actions da Disney, Aladdin chega com baixas expectativas pelo público, mas surpreende com uma produção que traz o melhor da junção Hollywood e Bollywood.

O encontro entre as duas culturas cinematográficas se faz presente não só pela “ambientação versus produção” de Aladdin, mas em sua execução luxuosa e claramente hollywoodiana que não deixa de honrar elementos do cinema do oriente médio. É neste sentido que vemos grande intensidade em cenas de ação e romance, que podem parecer excessivas ou cafonas ao espectador ocidental, mas fazem total sentido no conjunto.

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Mas é principalmente nos atos musicais em que sentimos o toque de “ah, isso é Bollywood!” que Aladdin apresenta com grande honra. As danças e vestimentas típicas se unem aos efeitos visuais acelerados que trazem um ritmo muito particular dos longas daquela região.

A fotografia também tem papel de grande importância para a relação de proximidade do espectador com um filme tão regional, nos apresentando a belas paisagens e arquiteturas intrínsecas da cultura local por meio de planos abertos, extremamente convidativos. Neste quesito, a ambientação se torna essencial para que a fotografia seja bem-sucedida, e o realiza com perfeição:

Cenografia e Figurino

As cenas desérticas foram filmadas em Wadi Rum, na Jordânia, e trazem grande emoção aos olhos do espectador com as paisagens naturais de mares de areia e montanhas rochosas que imediatamente nos teletransportam não só para o Oriente Médio, mas para toda a magia que a Disney constrói em cima da narrativa.

Parte dessa magia também vem pela caracterização dos personagens, cujos figurinos apresentam a realidade das culturas locais sem deixar de lado o toque de irrealismo e exagero com propósitos de tirar suspiros do público. E consegue. Cada uma das vestimentas de Jasmine ou mesmo de sua criada e melhor amiga, Dalia, instantaneamente encantam os olhos.

Elenco e Personagens

Naomi Scott está divina no papel de Jasmine, superando qualquer expectativa que os fãs da animação poderiam ter sobre sua performance. Entretanto, quem surpreende mesmo é Will Smith, que vem com toda a sua versatilidade para provar que nasceu para o papel como se fosse o próprio Gênio.

Antes do lançamento do filme, algumas fotos do ator caracterizado sem a pele azul do personagem provocaram medo nos fãs, mas tudo faz grande sentido dentro da narrativa, que tira a obrigatoriedade da cor sobre-humana sem desmerecer a fantasia que cabe a um Gênio da Lâmpada.

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Todos nós sabemos que o alívio cômico de Aladdin é Abu, o macaquinho carismático que, em animação ou CGI, conquista todos os espectadores, além do Gênio, obviamente. Mas o jeitinho espontâneo de Dália a torna tão real e encantadora que vira a nova favorita.

Para criticar algo, Jafar deixa a desejar com uma performance caricata e pouco convincente para um vilão, que exigiria mais força e expressividade do que Marwan Kenzari pôde entregar ao papel. Quase tão fraco quanto Billy Magnussen como Príncipe Anders, em uma tentativa falha de trazer alívio cômico ao filme com um personagem completamente esquecível e irrelevante.

Para não dizer que este foi o único defeito do filme, vamos aos bastidores para entregar a triste realidade de Mena Massaoud, que dá vida ao personagem-título com uma representação mais do que satisfatória de Aladdin, vivendo o melhor do personagem em suas expressões faciais e corporais, muito presentes nas cenas de dança e ação que em nada deixam a desejar.

Embora seu exímio trabalho em um dos filmes de maior bilheteria do ano, Massoud continua sem conseguir papéis em filmes do cenário americano, mais uma vítima do preconceito de Hollywood e da falsa sensação de representatividade que os filmes dos Estados Unidos transmite. Atores de raças diversas continuam sendo contratados somente quando convém aos estúdios. 

Trilha Sonora

Quando se trata de um filme da Disney, a trilha sonora é essencial. Temos aqui o retorno da clássica A Whole New World, música que acompanha o desenvolvimento romântico dos protagonistas. A cena dos dois se aventurando no céu noturno com a ajuda do tapete mágico é igualmente bela em ambas as versões, ativando o sentimento de nostalgia no live-action

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Friend Like Me, a música do Gênio, também era cantada já nos anos 90 por Robin Williams, mas volta ainda mais incrível com uma grande performance visual repleta de efeitos e gracejos cativantes, mas atrativa principalmente pelo talento de Will Smith.

Mesmo assim, não dá para negar que a original Speechless é quem rouba a cena. Naomi Scott dá voz a não só a melhor música do filme, mas uma das músicas que tiveram maior impacto na vida real ao logo do ano, com grandes conquistas nos charts e covers sendo lançados por fãs e artistas ao redor de todo o mundo.

A música se aventura pelo lado feminista da personagem, marcado desde sua caracterização original na animação de 1992. Ao cantar sobre não se deixar silenciar por aqueles que a subestimam, lança um hino libertador que é tudo o que muitas mulheres precisam ouvir. Jasmine é inspiradora, e de longe o maior ato deste filme.

Com poucas falhas, Aladdin entrega um resultado muito além do esperado, surpreendendo positivamente e garantindo sua vaga nas seleções de melhores blockbusters do ano. Dentre os live-actions já produzidos pela Disney é, sem dúvida alguma, um dos maiores destaques do estúdio, e vale a pena assistir a cada segundo dessa exímia obra de arte que é, ainda, uma lição de cultura e de vida.

E você, o que achou do live-action de Aladdin? Conta pra gente nos comentários, vamos adorar ler a sua opinião!

 

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