Asterix e o Segredo da Poção Mágica chegou aos cinemas do Brasil na última quinta-feira (19) com muita diversão e aventura garantida para todas as idades. Na história, O druida Getafix está se sentindo velho demais para continuar com seu trabalho como Guardião da Poção Mágica, optando por eleger um suplente.

Para encontrar seu sucessor, sai em uma longa jornada em busca de uma mente jovem, criativa e responsável, mas é mais difícil do que esperava. Enquanto isso, um concorrente dos velhos tempos que se voltou para o mal tenta colocar suas mãos na receita com segundas intenções, e todo o povo de Gália terá de se unir nessa batalha repleta de magia.

Novidade no passado

Resenha | Asterix e o Segredo da Poção Mágica (2019)

Ambientado na Gália, uma antiga região francesa que foi uma província do Império Romano, traz referências a personagens históricos como César, o ditador e imperador, e Tomcrus, que representa os senadores da época – embora caracterizado como uma figura cômica, para dar o tom mais infantil e brincalhão da narrativa.

A trama permite, ainda, uma visão “novo x velho“, na qual os povos mais tradicionais ainda apresentam certa recusa quanto às mudanças de seus costumes. O vilão da narrativa, Demonix, que é malvado até no nome, é a maior representação disso, quando suas ideias inovadoras o afastaram dos demais druidas e, para fazer suas vontades, acabou se perdendo em um caminho de luxúria, pecado e perversidade.

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Entretanto, outros personagens também demonstram tais mudanças, como em um dos aprendizes que faz “audição” para a vaga de sucessor, quanto repudiam sua reorganização dos ingredientes de uma poção de modo que fiquem mais acessíveis a uma pessoa canhota, uma vez que o padrão é destro.

Resenha | Asterix e o Segredo da Poção Mágica (2019)

Já em Pectin, um início de mudança começa a ser percebido quando ela, uma garotinha, se destaca nas aulas e atividade druidas – que, até então, são proibidas para as mulheres. Suas habilidades poderão levá-la longe, se o futuro da saga permitir que este seu lado seja desenvolvido ao longo de seu amadurecimento.

Enquanto os druidas não lidam muito bem com essas novas ideias e adaptações, Getafix se destaca e, até por isso, é o líder: ele funciona quase como uma figura divina, pacificadora e imponente, respeitado por todos por seu talento, mas principalmente por sua bondade. Ele é um dos únicos que está aberto a essas mudanças, começando consigo mesmo ao ser capaz de renunciar seu tão esmerado cargo por julgar ser o melhor para todo o povo.

Em contradição, também há uma dose de representações bem atuais na narrativa, embora pouco conversem com o contexto histórico da época, em uma quebra de padrões que pode causar humor: crianças e mulheres lutam nas “forças armadas” de Gália, e a batalha final traz elementos emprestados da cultura pop japonesa em uma referência pouco visível, mas muito marcante.

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Asterix, a franquia

Entretanto, perceba que Asterix, embora tenha seu nome no título do filme, mal foi citado ao longo da resenha: o personagem-título mais funciona como uma figura secundária que um protagonista nesta trama, unindo-se a Getafix como seu guarda-costas na jornada.

Isso porque a franquia de Asterix é tão vasta que nem precisa dele como protagonista para funcionar bem. Asterix surgiu na França de 1959 como uma série de histórias em quadrinhos, na qual o povo de Gália precisava resistir contra a ocupação romana. Nesta pequena aldeia, ambientada 50 anos antes do nascimento de Cristo, Asterix e seus amigos aldeões usam de uma opção mágica que lhes dá força sobre-humana para lutarem e sobreviverem.

A série trata de resistência, mas traz muita diversão e já é conhecida por suas referências a história moderna, tendo elementos que lembram hábitos dos ingleses, os militares nazistas e até mesmo figuras como os Beatles, Dom Quixote e Mickey Mouse, que aparecem nas HQs.

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Filme para todos

O filme, entretanto, vem com uma ideia de ser um produto não só para os fãs do material já conhecido, mas também para quem está tendo o contato com o universo de Asterix pela primeira vez.

Não há grandes introduções ou coisa do tipo, mas o filme também não cobra conhecimentos anteriores, servindo sempre uma boa medida de informações para ambos os lados do público. Não falta nem o atrativo para os mais novos, com uma figura de um “porquinho” fofinho, pequeno e atrapalhado, perfeito para vender bonecos.

Além disso, a trama é divertida e encantadora, com essa mistura incansável de elementos antigos com um toque de humor atual que deixa tudo muito bem estruturado para encantar a todas as idades – embora os clichês que estão tão enraizados na narrativa que não a permitem inovar muito.

Neste sentido, o filme falha: o meio do enredo é bastante arrastado e enjoativo, demorando a voltar a prender a atenção do público como nos chamativos dez minutos iniciais. Entretanto, quando volta, vem com ótimas cenas que garantem o entretenimento e risadas, recuperando o título de “recomendado” para o filme.

 

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