Atypical é uma série original Netflix, produzida nos Estados Unidos e criada por Robia Rashid (How I Met Your Mother e The Goldbergs). Com episódios de 26-38 minutos, a série é indicada para maiores de 14 anos e com temática e abordagem voltadas para o público jovem adulto. Em exibição desde agosto de 2017, a comédia dramática Atypical já tem a segunda temporada disponível no serviço de streaming, e a terceira chega à plataforma nessa sexta-feira. Keir Gilchrist (Se Enlouquecer, Não Se Apaixone)  interpreta o protagonista, Samuel “Sam” Gardner.

Sobre o Enredo

A história de Atypical se desenrola a partir de Sam, um rapaz de 18 anos com autismo diagnosticado desde sua infância, obcecado por pinguins. É isso que faz com que ele se diferencie de outros colegas da sua idade, é o que o faz atípico. Apesar de centrar-se na vida de Sam, a série também explora as vidas ao seu redor, e por isso apresenta tanto assuntos comuns dos neurotípicos quanto questões particulares do espectro.

A maior dificuldade de Sam, no momento, é ter uma namorada, já que um de seus maiores desafios é a interação social. Após manifestar esse desejo à sua psicóloga, Julia Sasaki (Amy Okuda), ele é encorajado se aproximar das garotas, mesmo que pareça difícil. A partir daí começam a surgir os conflitos principais em Atypical: o esforço de Sam para se relacionar não é bem recebido por sua mãe, Elsa Gardner (Jennifer Jason Leigh), que quer protegê-lo ao máximo dos problemas. Ela resiste a essa ideia de deixá-lo namorar, temendo que uma mudança tão grande cause sofrimento no filho. Com o surgimento dessa novidade na família, cada um reage de uma maneira diferente em relação a Sam, e isso os leva a perceber aspectos da dinâmica familiar nunca antes notados. É notável um chamado à reflexão sobre ações individuais e seus impactos na família.

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Personagens

De um lado, Atypical vem como uma proposta de representatividade, expondo o ponto de vista de um autista no dia a dia; de outro, a série quer explorar dramas familiares clichês e trazer um humor leve. Por isso o roteiro apresenta alguns estereótipos, como a mãe superprotetora, em contraste com um pai um pouco mais perdido sobre como lidar com um filho especial. Por conta da condição de Sam e de toda a atenção que recebe, principalmente da mãe, Casey (Brigette Lundy-Paine), sua irmã mais nova, acaba por se sentir um pouco deslocada, o que é outro cenário comum.

Apesar de ter um contexto padrão, Atypical consegue se desenvolver de maneira criativa ao focar na jornada de autoconhecimento de Sam. Nesse ponto, a participação de Zahid (Nik Dodani), o melhor e talvez até único amigo de Sam, é essencial. Zahid é de longe o personagem mais divertido e descontraído do roteiro. Como está sempre pensando em garotas, para ele é fácil dar conselhos para o amigo que resolve arrumar uma namorada.

Em relação ao desenvolvimento do personagem principal, existem algumas ressalvas. Na tentativa de ser fiel às características comportamentais de pessoas no espectro autista, a série peca um pouco ao exagerar as reações de Sam. Em quase todas as cenas, Sam apresenta muitos traços, geralmente de uma vez, como os tiques, a falta de contato visual e a fala ocasionalmente inapropriada. Isso reforça um pouco a imagem que a própria série tenta desfazer: a de que um autista nunca conseguirá passar despercebido em situações do dia a dia, pois ele estará sempre refém do transtorno. Porém isso não acaba sendo um problema que impeça de aproveitar a trama, e provavelmente acontece pelo contexto artístico que tende e exagerar algumas coisas.

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Indo mais para o lado dos adultos, a construção dos personagens retrata um pouco mais a realidade: a psicóloga é afetada pelos próprios problemas pessoais, o pai sente-se frustrado por não receber afeto do filho como gostaria e a mãe é muito controladora. Todos eles erram em um ou outro momento, mas isso não os coloca como vilões. Esses aspectos promovem uma identificação do espectador, afinal é muito fácil lembrar de alguém na família com defeitos fortes, mas ainda assim muito importante.

Elenco

Dentre todas as atuações em Atypical, já era de se esperar que a do protagonista Sam fosse a mais discutida pois é sempre desafiador quando um ator precisa performar uma realidade distante da sua. Nesse caso, Keir Gilchrist se saiu muito bem ao interpretar um autista na fase adolescente e em meio a tantos conflitos. Em entrevista ao BUILD Series, Gilchrist revela que se pressionava muito para dar seu melhor nesse personagem.

Brigette Lundy-Paine também merece elogios por seu papel, tendo dado vida à figura forte de uma irmã protetora, mas também em conflito consigo mesma e preocupada com seu futuro. E Jennifer Jason Leigh com certeza também tem direito a ser mencionada como uma ótima mãe de um filho especial, mostrando emoções como preocupação e culpa de forma autêntica.

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Direção e Fotografia

A direção dos 8 episódios de Atypical é dividida entre 3 diretores, sendo Michael Patrick Jan o mais experiente deles, e também o responsável por mais episódios. O primeiro e os dois últimos episódios são escritos pela própria criadora da série, Robia Rashid.

A fotografia da série é satisfatória. Não apresenta muitas movimentações de câmera, então não há tantas alterações de perspectiva, mas dá conta do recado. A cinematografia talvez pudesse explorar mais a percepção diferenciada que Sam tem do ambiente à sua volta e transmitir isso nas lentes.

Curiosidades

Gilchrist conta em entrevista que uma preocupação de toda a equipe envolvida na série era de retratar momentos e atitudes engraçados de Sam, mas nunca o colocando como um palhaço ou alguém para ser zombado. Para evitar más interpretações de alguma cena, eles não hesitavam em ligar para Rashid ou para algum dos consultores especialistas sobre o assunto sempre que uma dúvida surgia no set de gravação.

Recomendação

De forma geral, a série é agradável e divertida. A proposta de juntar o cotidiano de uma família com filhos adolescentes às questões de um garoto autista em autoconhecimento é inovadora e interessante. Mesmo sendo leve, Atypical provoca muitas reflexões ao longo da curta temporada. Vale a pena mergulhar nesse ponto de vista alternativo e inclusive continuar acompanhando. Deixe sua opinião nos comentários!

 

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