Lançado no Japão em dezembro de 2020, o filme Aya e a Bruxa finalmente ficou disponível no Brasil através da Netflix, com estreia na plataforma na última quinta-feira, 18 de novembro. O longa era muito aguardado por ser o mais novo projeto do Studio Ghibli, mas será que valeu a pena esperar?

Enredo

O filme conta a história de Aya Tesourinha, uma jovem bruxa que foi abandonada pela mãe em um abrigo infantil. Ela passou vários anos no lugar, acompanhada de seu amigo Pudim e dos funcionários queridos, e nem queria ser adotada, até que uma bruxa finge adotá-la como filha para, na verdade, usá-la nas tarefas domésticas.

Descontente com o tratamento que recebe da bruxa, Aya decide que irá aprender magia para se livrar das ameaças constantes de sua adotante. Para isso, contará com a ajuda de Thomas, um gato preto familiar de língua afiada e personalidade forte.

O grande problema do filme é seu final: dando o mínimo de spoilers possível,Aya e a Bruxa acaba literalmente do nada. A sensação de interrupção é imensa, parece que o filme não foi concluído e isso é extremamente decepcionante.

Não que seu desenvolvimento tenha sido lá grande coisa: a trama da animação é um pouco confusa, como se não saísse do lugar. Até há uma história legal que poderia ter se desenvolvido por ali, principalmente se levarmos em consideração que o filme é inspirado em um livro, Tesourinha e a Bruxa, de Diana Wynne Jones, que é bastante divertido apesar de curto.

Ou seja: não faltou material para criar um bom filme. Com um livro ótimo e todos os recursos do Studio Ghibli em mãos, parece que Aya e a Bruxa só é ruim por pura preguiça.

Resenha | Aya e a Bruxa (2020)

Direção e técnicas de animação

Aqui é onde Aya e a Bruxa poderia ter se salvado. Mesmo filmes medianos do Studio Ghibli acabavam conquistando a atenção e carinho do público por seu estilo encantador, e tudo isso foi por água a baixo quando o estúdio tentou inovar ao trazer seu primeiro filme em 3D.

A animação tridimensional não é tão convincente, tampouco tão bonita quanto demais projetos em 2D do estúdio. O traço, aliás, perdeu toda a beleza já conhecida dos filmes da Ghibli, com uma apresentação bastante genérica que mais parece ser um estúdio novato qualquer tentando replicar a Ghibli do que a própria Ghibli fazendo um filme.

Quem assina a direção do projeto é Gorō Miyazaki, filho do mestre Hayao Miyazaki e que já havia dirigido alguns filmes do estúdio, como Da Colina Kokuriko, que elogiamos aqui no Entreter-se. No entanto, nem mesmo um diretor extremamente qualificado como ele foi capaz de levantar essa obra. Aya e a Bruxa simplesmente não funciona.

Resenha | Aya e a Bruxa (2020)

Personagens e Dubladores

A personagem principal, Aya Tesourinha, é apresentada como uma garota mimada: ainda que tenha crescido em um orfanato, ela está acostumada a ter todos fazendo suas vontades. Sua personalidade entra em conflito com a da bruxa que a “adota” e ela passa boa parte do filme tentando aprender feitiços que possam livrá-la dessa opressão, e quando consegue é quase como se a sua história acabasse por ali, com o filme se perdendo em um grande limbo por não saber mais o que fazer com sua protagonista, quem dirá então com personagens secundários, e resolve simplesmente acabá-lo do nada.

A dublagem brasileira, de certo modo, combina com a personagem. No entanto, para um filme voltado ao público infantil, há partes em que o vocabulário parece um pouco chocante demais. Não há palavrões, mas insinuações como “que droga” acabam escapando da boca da protagonista que, ainda que seja uma alma rebelde, é muito jovem para tal.

Fica nítido que o filme, desde sua apresentação visual à linguagem adotada, é voltado para uma nova geração de espectadores, ao maior estilo “Geração TikTok”, mas nem avaliando por este lado parece algo positivo.

A única coisa que se salva é, de fato, o personagem Thomas com sua personalidade de familiar que lembra em muito o Salem, de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira. Antes tivessem feito um filme focado só nele.

Resenha | Aya e a Bruxa (2020)

E você, o que achou de Aya e a Bruxa? Conta pra gente nos comentários!



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