Boca a Boca é uma série de suspense brasileira, dirigida por Esmir Filho e Juliana Rojas e estrelada por Caio Horowicz, Iza Moreira e Michel Joelsas. Estreou na Netflix no dia 17/07 e tem classificação de 18 anos. 

Enredo 

Após acordar de uma festa, Fran encontra a amiga, Bel, no chão do banheiro, chorando, com uma mancha estranha na boca e um olhar de desespero. Isso dá início a uma epidemia na cidade fictícia de Progresso e grande parte dos adolescentes se infecta com uma doença que passa através do beijo. Fran se une a Chico e Alex para tentar descobrir como isso se espalhou e quem começou tudo. Mas será que o pior é realmente a doença ou o próprio ser humano?

Elenco e Personagens

Com um elenco de peso, com nomes como Denise Fraga, Bruno Garcia, Thomas Aquino e Bianca Byington, a série tem, em seus atores, um dos seus pontos fortes. Todos trabalham muito bem. Boca a Boca tem personagens interessantes e muito bem construídos. 

Fran (Iza Moreira) é uma garota muito corajosa, inteligente e determinada. Faz de tudo pela mãe, Dalva, com quem tem uma linda relação, muito bem construída pelas atrizes. É uma grande amiga de Bel e se aproxima de Chico e Alex para tentar descobrir como a doença se espalhou. Essa relação acaba se transformando em uma grande amizade e é bem interessante acompanhar esse processo. Iza Moreira, apesar de fazer seu primeiro trabalho, tem uma atuação segura. Ela consegue humanizar a personagem e tem carisma, o que faz com que a identificação com o público seja ainda maior. 

Alex (Caio Horowicz) é filho do fazendeiro Nero, um dos homens mais influentes da cidade. É corajoso e um dos poucos que consegue enfrentar o pai e dizer o que pensa. É um menino tímido e com poucos amigos. O ator trabalha muito bem e tem uma bela construção de personagem. É uma atuação bem segura e crível.

Chico (Michel Joelsas) acaba de chegar a Progresso, com o pai e o irmão mais novo, o fofo Quim. Chico é o personagem mais interessante da série, mesmo que sua trama não tenha sido tão bem explorada como realmente merecia. É uma figura carismática e muito cativante, muito bem construído pelos roteiristas e pelo ator. O relacionamento entre ele, Alex e Fran é bem desenvolvido e os atores têm muita química. A relação de Chico com o irmão é uma das mais bonitas da série.

Quim (Kevin Vechiatto) é muito apegado ao seu irmão, Chico, e sempre está tentando defendê-lo para o pai. Apesar de não ter uma trama aprofundada, é um personagem interessante e que merece muita atenção, por conta da atuação segura e do talento de Kevin Vechiatto. O menino brilha em cada cena e consegue conquistar o público.

Denise Fraga interpreta a diretora da escola: uma mulher muito dura, exigente e que não tolera mentiras. Tenta sempre manter seus alunos na linha, mas normalmente não consegue. Tem seu ponto fraco na filha, Manu. A atriz faz um trabalho muito seguro e constrói uma vilã humanizada, nada caricata, muito próxima da realidade.

Direção e Fotografia

Juliana Rojas e Esmir Filho trabalham muito bem e todos os episódios são bem dirigidos. Me arrisco a dizer que a direção é o ponto mais forte da série. A narrativa é bastante fluida e muito dinâmica, o que deixa a produção ainda mais interessante e fácil de assistir. A narrativa é linear e usa muitos flashbacks da festa para explicar o que realmente aconteceu. O roteiro é muito bem feito. Não só a trama da epidemia é bem feita, mas também as histórias dos personagens, e não apenas o trio principal. Diversos personagens têm as tramas bem desenvolvidas, mesmo em um espaço de tempo curto. São personagens muito bem escritos.

A Fotografia é simplesmente exuberante. Com foco no azul e no rosa e na mistura belíssima dessas cores, além de enquadramento excelente, Boca a Boca entrega uma fotografia estonteante. Isso, aliada a uma ótima trilha sonora, entrega uma ambientação tensa, angustiante, chocante e de tirar o fôlego. Faz o espectador mergulhar ainda mais na obra. A série não precisa de sustos fáceis, nem se preocupa com isso. O estilo aqui é o chamado “terror de arte”, tão utilizado, atualmente, em filmes como Midsommar e Demônio de Neon, por exemplo. O terror está, principalmente, em sua fotografia exuberante, chocante e assustadora. 

Cenografia e Figurino

Grande parte dos acontecimentos se passa na escola (principalmente na sala da diretora) e na floresta. Há muitas cenas nas casas dos protagonistas, na igreja e no hospital. O figurino é bem diversificado, mas o que se destaca é o diferente uniforme da escola. 

Boca a Boca, apesar de não ter uma premissa tão atraente, vale muito a pena. É uma série inteligente, que aborda temas muito importantes e atuais: homofobia, racismo, bullying, fanatismo religioso, conservadorismo e desigualdade social. É uma bela simbologia sobre amadurecimento e, principalmente, corpo e liberdade. Não sabemos se haverá uma segunda temporada, mas esperamos que sim. Em meio a inúmeras produções da Netflix caras e de baixa qualidade, encontrar uma obra como Boca a Boca é realmente muita sorte. 

 

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