Estreou no dia 22 de março a série italiana Carlo e Malik. Exibida na Itália entre novembro e dezembro de 2018, a obra foi produzida pela emissora RAI com colaboração da Netflix. Com doze episódios de aproximadamente cinquenta minutos, a série aborda investigações criminais.

Enredo

Carlo Guerrieri é o típico italiano raiz. Policial e detetive em Roma, trabalha com sua equipe para solucionar crimes. Malik Soprani é um jovem que nasceu na Costa do Marfim mas vive na Itália desde criança.

Quando Carlo descobre que terá que trabalhar com Malik, não gosta muito da ideia. No início, a convivência não é fácil, pois Carlo em vários momentos se mostra uma pessoa racista.

Logo, Malik se apaixona pela legista Alba, que coincidentemente é filha de Guerriere, o que aumenta ainda mais a antipatia entre os dois. Alba, por sua vez, tenta negar mas também se sente atraída pelo jovem, o que se torna um problema, afinal, ela namora Riccardo.

Entre investigações, a série foca muito na vida pessoal dos seus personagens, se preocupando em dar maior destaque aos problemas vividos por eles.

Tanto Malik quanto Carlo trazem passados complicados que resultam em consequências para o presente.

Abordando o racismo

Nos primeiros episódios o tema racismo é tratado com bastante ênfase. A maneira como os personagens se referem à Malik nos leva muitas vezes em pensar que a série está sendo ambientada no século XX, porém, o uso de celulares touch screen, a abordagem de temas atuais como Baleia Azul e outros indícios dados, nos confirmam que trata-se de uma obra ambientada em 2018.

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Em suma, logo concluímos que os criadores exageraram um pouco ao tentar abordar o tema do ponto de vista atual.

Frases como: “Fomos superados pelo negro”“Com negro eu não falo” e “Vocês aceitam africanos na polícia?”, nos trazem um contexto em que existe racismo, mas não condiz muito com a realidade que vivemos nos dias de hoje.

Detalhe: A Netflix optou em usar um título menos provocativo ao escolher o nome de Carlo e Malik. Na Itália, a série recebeu o nome de Nero a Metà, que traduzido para o português significa algo como Negro no Meio.

Elenco

Apesar de desconhecidos pelo público que está acostumado com produções de outros países, alguns dos atores que formam o elenco são bem conhecidos pelo público italiano.

Carlo Guerriere é interpretado pelo veterano Claudio Amendola. O ator consegue conquistar a simpatia dos espectadores, mesmo com o lado racista e muitas vezes autoritário de seu personagem. Fica evidente ao decorrer dos episódios que Carlo é um bom pai e muitas vezes amoroso com seus colegas. Amendola conseguiu bons resultados em todas essas fases.

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Formando a dupla dinâmica com Carlo temos Malik, que é interpretado pelo jovem ator Miguel Gobbo Diaz. Ele consegue passar a profundidade do personagem, principalmente ao mostrar a dificuldade de Malik em confiar nas pessoas. No que diz respeito a atuação de Amendola e Diaz, é possível afirmar que a química em cena foi muito boa.

Outro nome bem conhecido em seu país de origem é o ator Fortunato Cerlino, que interpreta o colega/melhor amigo de Guerriere, Mario Muzo. A atriz Rosa Diletta Rossi da vida a Alba, enquanto Alessandro Sperdute e Margherita Vicario interpretam os detetives Cantabela e Repola, respectivamente.

Cenografia e Figurinos neutros

Dirigido por Marco Pontecorvo, com figurino de Daniela Ciancio e Cenografia de Vincenzo Carpineta, a série traz um cenário bem diferente daqueles lugares glamourosos que estamos acostumados em ver nas séries americanas. Habituada em Roma, a produção mostra um lado diferente, retratando subúrbios do local, onde vivem vários imigrantes.

A paleta de cores que envolve o cenário como um todo, seja no escritório, nas casas ou nas ruas é constituído por preto, marrom, cinza e branco. No decorrer das cenas, podemos perceber o quão escura são as imagens, o que não prejudica em nada a série, mas é um fato bastante curioso.

Seguindo o estilo dos cenários, os figurinos dos personagens são apagados, sem qualquer atratividade. Talvez o único figurino que saia um pouco deste contexto neutro sejam os uniformes azuis da polícia.

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Destaque para a música de abertura da série e que em diversos momentos é tocada. Mesmo que não soubéssemos nada sobre a obra, só em ouvir aquele trecho, ficaria claro que se trata de investigações criminais.

Crítica

Um ponto que soou estranho no decorrer da série foi a passagem do tempo. Desde o início dos trabalhos com a equipe de Carlo até o último episódio temos a sensação de que Malik já está na equipe há pelo menos um ano, o que não pode estar correto, pois desde o primeiro episódio, a detetive Repola está grávida de pelo menos uns sete meses e o parto é realizado apenas no último episódio.

Outro fato que incomoda bastante foi a rapidez em que o relacionamento de Malik e Alba foi conduzido.

Apesar de um final previsível, uma peça dos acontecimentos me chamou a atenção positivamente, pois é algo que acredito que nenhum espectador da série irá desvendar até o último episódio. Ponto positivo para os criadores.

O final da série dá indícios de que haverá uma segunda temporada.

 
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