A década de 90 foi para Matt Damon o início da consagração. Nesta época, ele estrelou alguns títulos que agradaram a plateia e arrancou elogios da crítica como Gênio Indomável (1997), O Talentoso Ripley (1999) e Cartas na Mesa (1998). Este último, dirigido por John Dahl (hoje mais dedicado à direção de séries), se tornou um dos maiores destaques de sua carreira. Tanto que algumas de suas frases se tornaram motivacionais.

Enredo de Cartas na Mesa

Rounders (título original) conta a história de Mike (Matt Damon), um homem que ama jogar poker, conseguindo ganhar em muitos momentos. Ele é um bom profissional, porém, após uma grande derrota, decide que é hora de tentar a vida normalmente. Sua namorada é o grande vigia que está sempre de olho em recaídas e não perdoa qualquer deslize. Durante um tempo ele consegue manter uma vida “normal” e infeliz.

Porém, chega o dia em que seu amigo de infância, Worm (Edward Norton) sai da prisão e Mike se vê mais uma vez enredado pela jogatina. Ao contrário de Mike, Worm não quer ou não deseja jogar honestamente. Livre da prisão, Worm continua preso à dívidas contraídas anteriormente e somente Mike pode ajudá-lo.

Para isso, começam a jogar em pequenos torneios de cartas com jogadores não profissionais. Com o tempo, Mike começa a discordar da falta de escrúpulos do amigo e tenta jogar honestamente. Mas com Draw e o mafioso Teddy KGB, será que ele conseguirá? Essa é a grande questão deste drama com algumas características de noir.

Edward Norton como Worm. Imagem: Reprodução

Elenco, Personagens e Diálogos

Os diálogos por vezes técnicos demais para quem não entende do jogo pode torna-lo um pouco difícil de acompanhar. Principalmente para quem não entende termos próprios do poker como Buy-in (algo que Mike tinha mas não soube administrar), Flush Draw (fato que ocorre comumente em uma partida e pode acabar em uma derrota) e Tilt (um desequilíbrio de um jogador diante de uma partida), por exemplo. Mas ao mesmo tempo torna-o um deleite para os amantes do jogo de cartas.

Além do âmbito das telinhas, não é à toa que Cartas na Mesa é considerado um dos filmes que todo jogador de poker deveria assistir. Afinal, a produção mostra uma história de superação de obstáculos, bem comum no mundo dos jogos da mente. Seu protagonista aprende lições à medida que senta em uma mesa e encara seus oponentes enquanto enfrenta seus próprios fantasmas. A soma de tudo isso explica porque o filme coleciona tantos fãs.

A narrativa em primeira pessoa, só começa a ganhar movimento após a primeira hora de filme, justamente quando a figura do amigo entra em cena. Edward Norton mostra porque sempre será considerado um dos atores mais completos daquela geração ao entregar um personagem que é quase vilão, mas que mesmo assim consegue fascinar justamente por sua falta de senso e limites para parar. Norton, como de costume, empresta ares carismáticos ao personagem, e nos faz amá-lo ou odiá-lo na mesma medida.

Draw, para o bem ou para o mal, é o responsável pela derrocada e, de certo modo, pela edificação de Mike. Não se trata, no entanto, de uma história de amizade, como muitos creem, mas fala mais sobre o lado positivo de algumas situações negativas. E não há como negar que, ao mesmo tempo que Draw levou Mike para o submundo, também o fez desenvolver a leitura dos oponentes, levando-o a jogar e enxergar até mesmo possíveis cartas de acordo com as expressões à mesa.

Outro personagem chave é o professor Abe Petrovsky (interpretado pelo experiente Martin Landau). Apesar da carreira acadêmica ser diferente da carreira de um jogador de poker, Petrovsky vê similaridade em suas vidas e enxerga o potencial que o rapaz tem para o jogo.

Justamente por não ter tido apoio em sua juventude, Petrovsky entende que o poker é, para Mike, muito mais que diversão. Ele pertence ao jogo.  “Não importa o que você faça, seu destino sempre irá atrás de você”, preconiza em um momento. E, ao contrário da descartável personagem da namorada, é ele quem ajuda Mike a assumir suas escolhas.

Malkovich roubando a cena. Imagem: Reprodução

Não poderia deixar de citar Teddy KGB, um mafioso que leva Mike ao buraco e que é brilhantemente interpretado por John Malkovich (Horizonte Profundo: Desastre no Golfo). Mike consegue ler a maior parte de seus oponentes, mas o russo continua sendo uma incógnita para ele, sendo, portanto, seu maior oponente. KGB parece ter um equilíbrio imbatível, apesar de demonstrar um tique aparentemente fácil de ser lido.

Direção e Fotografia

Por último, e ainda falando sobre a narrativa, temos a paleta de cores que também dita os rumos da história, tanto quanto o detalhismo do roteiro escrito por Brian Koppelman e David Levien. Inicialmente a fotografia surge em tons amarelados e laranjas, o que denota um certo nervosismo e confusão do personagem principal com relação à sua jornada. À medida em que o tempo passa e as soluções são apresentadas, as cores se tornam mais frias.

É o momento em que Mike resolve arriscar-se: a perder, a ganhar, mas mesmo assim seguir suas estratégias e intuição. Na verdade, sua jornada começa quando o filme termina, e o final em aberto não nos deixa saber se o personagem seguiu o caminho reto ou se perdeu na estrada.

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