As sessões oficiais de Coringa nos cinemas brasileiros foram iniciadas nesta quinta-feira, 03 de outubro de 2019. Aclamado no Festival de Veneza com 8 minutos de aplausos após seu término, o novo filme do diretor Todd Phillips está dando o que falar, conquistando ambos público geral e crítica especializada.

A trama gira em torno de Arthur Fleck, um civil da devastada Gotham que tenta levar a vida como palhaço, performando em ruas e hospitais, enquanto estuda para se tornar um comediante de stand-ups. O personagem sofre de transtornos mentais, o que o faz gargalhar histericamente em momentos inadequados – e assusta todos a sua volta.

Conforme Gotham se transforma em ruínas, Fleck também é corrompido. Cansado de ser menosprezado e maltratado por todos, reage a uma tentativa de agressão no metrô e acaba por matar três homens. O que não esperava é que seu ato daria início a movimentos contra a elite de Gotham City, ameaçando a vida de Thomas Wayne e dando a Fleck o que ele precisava para tronar-se ainda mais insano: apoio.

Resenha | Coringa (2019)

Um pé no cult

Trata-se de um filme de origem, com uma visão muito perturbadora do passado deste personagem que é um dos maiores vilões das histórias em quadrinhos e, também, dos cinemas. Além das HQs do Batman, o novo filme tem como inspiração o longa-metragem O Homem Que Ri, de 1928.

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Com essas referências tão distintas, mas ao mesmo tempo tão semelhantes, Coringa consegue ser uma perfeita representação do encontro do comercial com o cult, misturando elementos dos blockbusters de heróis com os de grandes clássicos do cinema sem causar estranheza, mas sim resultando em uma obra grandiosa e com grandes críticas sociais ao capitalismo, à elite, à meritocracia e às influências.

É bem provável que o filme se dê bem em grandes premiações como o Oscar ou Globo de Ouro. Se não levar Melhor Filme, ao menos Joaquin deve conquistar alguma estatueta por Melhor Ator, tamanha a qualidade de sua performance nesse filme.

Um Coringa e tanto

É difícil – e até injusto – comparar as atuações de Phoenix com Heath Ledger, Jack Nicholson, Jared Leto ou qualquer outro ator que tenha interpretado o vilão, uma vez que cada narrativa traz um tom diferente ao personagem. Mais assustador. Mais sarcástico. Mais violento. O de Joaquin é mais realista.

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O personagem não se apega a grandes e esperados estereótipos. Fleck é ninguém mais que ele mesmo. O cara com uma risada histérica, que dá duro para ganhar a vida, que sofre quando descobre ter sido enganado a vida inteira, que surta ao perceber que não pode contar com ninguém mais além de si mesmo.

A construção de sua insanidade é muito bem trabalhada no filme, o que o torna muito melhor. Ver o delicado desenvolvimento do personagem é mais impressionante que assisti-lo já no auge de sua loucura. Acompanhar sua paixão se transformar lentamente em ódio, em fogo, em violência.

Resenha | Coringa (2019)

Tem que ter estômago

Não são muitas as cenas violentas, mas deixa filmes como Deadpool e Venom para trás com a qualidade das mesmas. O sangue em si nem é o principal incômodo, mas a composição das cenas para que seja mais do que um ato de agressão, mas de perfeita brutalidade e crueldade, regados por uma intensa onda de insanidade que continua a crescer e, cada vez mais, intimida o espectador.

O sentimento de medo também é desenvolvido. Não é um filme de terror, mas há momentos que a personalidade e as ações do personagem em muito se assemelham com as de um destes vilões de tramas assustadoras, a la Pennywise ou coisa do tipo, como se ele estivesse pronto para pular em frente à câmera e fazer o cinema todo gritar, mas isso não acontece.

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Não é um filme de terror, repito, mas um filme que mexe com as emoções. Amplifica. Desestabiliza. Sensibiliza. Que toca de verdade. A DC finalmente está acertando em trazer o tom sombrio de suas HQs para os cinemas, e esperamos ver mais filmes como este no futuro.

Resenha | Coringa (2019)

Vale cada centavo

Coringa é exatamente aquele filme que faz você sair do cinema com sensação de dinheiro bem gasto. É um filme político, é um filme que entretém, é um filme que choca, é um filme que conquista a sua atenção do começo ao fim. Não há o que dizer. Coringa é um grande acerto.

Coringa é o filme que todo amante de Batman merece.

 

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