Há quase 15 anos, o filme “Crash” recebia a premiação mais famosa do cinema, e é incrível o quanto sua temática continua atual. Quase como uma novela, a trama vencedora da edição de 2006 do Oscar é desenvolvida a partir das vidas de vários personagens e como elas se entrelaçam dentro de um período de 36 horas.

Apesar de o elenco só contar com figurões (Sandra Bullock, Brendan Fraser, Don Cheadle, Thandie Newton, Terrence Howard, só para citar alguns), não há um protagonismo individual, visto que cada relação explorada expõe uma faceta do problema: a intolerância motivada pelas diferenças.

Um aspecto interessante de se observar é a ligação entre o início e o fim do filme, construída pela presença de duas batidas de carro (“crash”, no original em inglês e daí o título) diferentes em cada uma. Assim como no trânsito, as vidas humanas seguem paralelamente, até que em alguns momentos encontros muitas vezes abruptos (e provavelmente nisso se baseia a continuação do título em português ” – No Limite”) conectam diferentes histórias e destinos. No longa em questão, esses encontros são geralmente marcados pelo preconceito em variadas formas: racismo, machismo, xenofobia, segregacionismo e autoritarismo hierárquico.

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A princípio, as ações dos personagens nos dão uma ideia de quem eles são, mas até mesmo isso se torna difícil estabelecer em ao longo do filme, já que uma pessoa é capaz de errar e acertar várias vezes dentro de um mesmo dia. Isso impede a formação de um estereótipo (justamente aquilo que é combatido pela produção) de “mocinhos” e “vilões”, além de mostrar o quão tênue é a linha do preconceito e quão sutis podem ser nossas atitudes preconceituosas. A crítica social é sem dúvida uma das mais bem colocadas em muito tempo, fazendo o espectador se questionar se ele realmente é uma pessoa livre de preconceitos, ou se apenas não é ciente deles ainda, ao se identificar com as justificativas e motivações daqueles na tela.

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Além disso, as situações do enredo mostram a vida como ela é: problemas conjugais, famílias desestruturadas, desigualdade social, tragédias e milagres coexistentes, erros e reparações, etc. As vulnerabilidades de nossa sociedade são expostas ali, e talvez por isso seja difícil absorver essa mensagem: somos frágeis e colhemos as consequências disso todos os dias.

Outro ponto importante a ser destacado é das generalizações que costumamos fazer como seres humanos, sempre acreditando que nossas atitudes só afetam a nós mesmos. O filme leva à percepção da qualidade colateral de toda e qualquer ação realizada, chamando a atenção ao senso de comunidade e alteridade que vem se perdendo com a valorização do indivíduo responsável por si mesmo.

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Para todos os efeitos, o diretor Paul Haggis acertou em cheio na abordagem crítica do comportamento humano, que começa é claro, com seus (pré) conceitos a respeito do outro, e vale a pena dispor das quase duas horas de duração para acompanhar essa reflexão sobre a humanidade e suas questões de menos prestígio.

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