Eu Vi é uma série da Netflix, em formato de “semi-documentário”, na qual pessoas relatam, para amigos e familiares, histórias bizarras que aconteceram com elas. Em cada episódio, há um relato diferente. Enquanto a pessoa conta o que aconteceu, cenas são passadas, mostrando a simulação do ocorrido. É uma produção diferente e bem interessante, e o fato de afirmarem que as histórias são reais aumenta ainda mais a curiosidade do espectador.

A narrativa é bem trabalhada: os episódios são curtos (menos de 30 minutos), tempo suficiente para mostrar cada relato, sem enrolar e nem deixar escapar algum detalhe. Tudo é bem explicado. O recurso da narração e das reações dos ouvintes, acompanhado pela reconstituição, da história é interessante, tende a dar mais credibilidade, mas seria bem melhor e mais crível se as reações fossem mais naturais e menos mecânicas. Enquanto o relator conta, algumas pessoas têm reações falsas e que parecem roteirizadas.

A direção de arte faz um bom trabalho, a fotografia tem qualidade (apesar de, em alguns momentos, ficar muito escura, o que deixa difícil de enxergar o que acontece, e isso incomoda bastante) e a construção do ambiente de horror é muito bem feita. Um ponto positivo e interessante da produção é que ela não aposta em sustos fáceis para ganhar o espectador, mas sim no bizarro, no perturbador e no terror crescente.

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O primeiro episódio conta o relato de Rebecca, uma jovem que, ao se mudar com uma amiga para uma nova casa, começa a ser atormentada por uma criatura que consegue imitar as características físicas das pessoas e enganá-las. Apesar do clichê e de não ser uma história muito interessante, a reconstituição é bem feita, há uma atmosfera de terror bem construída.

O segundo fala sobre uma enfermeira que trabalhava em uma casa de repouso e, um dia, recebeu uma paciente um tanto diferente das demais. A mulher tinha atitudes estranhas, falava coisas bizarras e causava medo às enfermeiras. Outro tema bastante clichê, mas, ainda assim, é uma história interessante e muito bem contada. A transformação rápida da mulher, que vai ficando mais violenta a cada dia, é bem feita e convincente. As personagens conseguem passar a sensação de pavor, medo e desespero.

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O terceiro e, talvez, melhor episódio dessa segunda temporada, é o mais diferente e o que mais foge do aspecto sobrenatural da série. É o relato de um homem que foi torturado, na adolescência, por um culto religioso bizarro. Por ser gay, ele sofreu uma espécie de terapia de conversão, em uma tentativa desumana e absurda de “curá-lo”. É uma história perturbadora, incômoda e repulsiva. A reconstituição é muito bem feita e há elementos suficientes para uma boa ambientação de horror e para chocar o público.

O quarto relato é sobre uma mulher atormentada, desde criança, pelo espírito de uma menina que vivia na casa que ela tinha acabado de se mudar com a família. A influência do fantasma foi tão poderosa que chegou a colocar a vida dela e de todos da casa em risco. É um relato assustador, principalmente por conta das consequências da interferência do ser espiritual na vida da mulher.

A quinta história é a de um fuzileiro que, além de presenciar os horrores da guerra, foi atormentado por uma espécie de demônio, durante um serviço no Afeganistão. Apesar de não ter muitos elementos de terror, quando este aparece é bem trabalhado.

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O sexto episódio conta o relato de um homem que tem a certeza de ter nascido amaldiçoado e justifica isso por conta de uma entidade que o persegue desde criança. Mais uma boa reconstituição, que, apesar de conter alguns momentos pouco convincentes, consegue construir a atmosfera de terror de maneira positiva.

Eu Vi é uma série muito interessante e bem feita. Apesar de alguns deslizes, tem aspectos positivos e merece ser assistida. Em alguns casos, é bem difícil acreditar que os relatos realmente aconteceram, por isso, a produção funcionaria muito melhor se fosse apenas composta por contos de terror, sem focar em histórias “verdadeiras”. Eu Vi vale a pena pelas reconstituições muito bem feitas, que realmente têm elementos de terror muito interessantes.

 

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