Falcons em Jogo é uma das novidades da Netflix, com classificação de 18 anos. Lançado como um filme de comédia, se encaixa na categoria de filmes slasher e poderia ser classificado como terror, também. Talvez, inclusive, ele se saísse melhor se lançado nesse gênero.

O filme acompanha a equipe do Falcons, um time de vôlei feminino que, durante uma viagem, precisa passar a noite na floresta, por conta de problemas com o trailer. O que elas não imaginavam é que seriam surpreendidas por homens mascarados e armados, dispostos a acabar com suas vidas.

Parece familiar? Clichê? Quantas vezes já se deparou com tramas parecidas? Falcons em Jogo não traz nada de novo, é apenas mais um terror slasher, repleto de sangue, mortes e violência. Típico de filmes desse gênero. Não podia faltar, é claro, a alta dose de palavrões e a sexualização desnecessária das personagens. Pra ser sincera, eu gosto bastante de slashers, mas o machismo presente em grande parte dessas obras é ridículo e absurdo.

Não há muito o que falar sobre o roteiro da obra francesa. Um grupo de garotas correndo de lunáticos sádicos. A diferença está no fato de serem jogadoras de vôlei. E, também, por serem um pouco mais inteligentes que muitas vítimas de filmes de terror. Ou será que os assassinos eram atrapalhados demais? Fato é: apesar de o longa ser extremamente clichê, elas não cometem todas as burrices típicas de personagens desse gênero, e isso é bom.

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A narrativa é interessante: apesar de ser classificado como um longa de comédia, Falcons em Jogo consegue criar uma atmosfera de terror e, tanto as cenas de perseguição na floresta quanto as interiores (dentro de uma espécie de galpão), são tensas e, em alguns momentos, geram bastante aflição. Isto acontece muito, também, porque as mortes são muito bem feitas e críveis. Não é comum, nesse gênero, vermos mortes tão próximas do real. O trabalho feito pela direção de arte é realmente excelente! O único momento em que passa bem longe do real é quando matam o cachorro: é possível ver, claramente, um brinquedo de borracha sendo esticado. Mas creio que isso tenha sido proposital, para ser ridículo mesmo.

O diretor não se sai muito bem: quando terror e comédia se juntam, não dá certo. Torna-se apelativo e cansativo demais. Aliás, o filme não é engraçado, no máximo é divertido e te faz rir em poucos momentos. Ele até que é interessante se for analisado como um slasher, pois tem as características que todo fã gosta: violência, mortes, várias decapitações (até perdi a conta) e muito, muito sangue. Uma característica marcante do gênero está também nas personalidades das meninas: temos a “nerd”, a valentona egocêntrica, a líder do grupo e a “palhaça”.

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As atuações são boas, todas as atrizes trabalham bem e conseguem passar todo o medo e a aflição que suas personagens estão sentindo. As garota têm química e formam uma boa equipe para lutar contra os perseguidores. Com elas, o humor do filme funciona um pouco melhor, como o momento em que uma delas (Lise, interpretada por Camille Razat), encurralada, tenta fazer um striptease ao som de “Macho Man“. Manon Azem convence bastante como uma personagem extremamente egoísta, esnobe e irritante. A mudança da sua personagem, nos momentos finais, é bem interessante. Também estão no elenco Tiphaine Daviot (Jeanne), Louise Blachère (M.A.), Anne-Solenne Hatte (Hazuki), Victor Artus Solaro (o treinador), Dany Verissimo-Petit (Dany), Margot Dufrene (Tatiana), Guillaume Canet, Dennis Lavant e Tony Corvillo.

Apesar de não se sair bem na comédia, o longa tem partes tão ridículas que chegam a ser engraçadas: como a cena em que as personagens atacam os vilões com bolas de vôlei, um corpo sem cabeça andando pela água e a épica batalha final, que, de tão absurda, torna-se hilária. O mais interessante do filme é que ele não se leva a sério, em momento algum.

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Um ponto negativo é o machismo presente em diversas cenas, até mesmo no nome do longa, em ingles: “Girls with balls” (garotas com bolas), usando um termo pejorativo e sexista para dizer que elas têm coragem. Isso também está presente na música que o narrador canta: “As bolas delas são maiores que as suas”. O treinador também é um personagem muito machista. E ainda há uma cena totalmente desnecessária, em que Morgane começa a dançar de forma sensual, do nada, quase que pendurada em um saco de alhos, logo depois do grupo entrar em um albergue caindo aos pedaços.

Apesar disso, é um filme divertido, e o melhor: despretensioso, com bastante sanguinolência e com personagens femininas fortes. Se for assistir Falcons em Jogo, não crie expectativas, porque pode se decepcionar. Assista sem pretensões e, provavelmente, achará interessante.

 

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