Guiado por um resgate das imagens dos anos 70 de mulheres da fotógrafa americana Cynthia MacAdams, o documentário original Netflix se resume a uma representação do que  foi ser um indivíduo do sexo feminino na década e do que ainda é hoje em dia, com suas noções de realidade, seus objetivos e perspectivas sobre a própria vida. A força motivadora do filme é entender, histórica e socialmente, as influências latentes que geraram o movimento de libertação de gênero proeminente feminista.

A estrutura narrativa se dá em formato de entrevistas com as moças fotografadas por MacAdams na época, quase todas com histórico em algum tipo de militância feminista, que hoje olham para a situação que viveram como bonitas mas duras memórias, alternadas com ilustrações  em vídeos e fotos de arquivo deste passado de luta. São artistas, ativistas, pensadoras: são pessoas conscientes de seu papel na sociedade.

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As fotos, que incitam os depoimentos contados são simples mas emanam sinceridade. Em preto e branco, as mulheres aparecem em retratos, as vezes nuas, fortes e independentes, com seus corpos livres e tomando a posição que quiserem. Esse estar pelada não traz consigo nenhuma relação a pornografia, mas a sensualidade do orgulho de ser o que se é. As fotos são como uma tentativa de registrar as histórias destas mulheres e dizer que elas existiram no meio de uma humanidade automatizada, de comprovar que existiram enquanto indivíduos. Muitas contam que foi também um processo de empoderamento, que naquelas imagens há uma marca do encontro consigo mesma. Há nesse encontro entre privado trazido para público um grande poder político de afirmação.

Apesar de estar oculta na montagem do filme, a pergunta que rege as entrevistas é algo que indica “Como você se percebeu enquanto mulher e feminista?”. E para esta, cada uma tem uma resposta diferente mas que se interliga pela misoginia estrutural que permeia o processo de socialização dos indivíduos do sexo feminino. Contam histórias da infância, da adolescência. Apontam aquilo de errado na sociedade, com firmeza e sabedoria, que vão além da vivência dos anos 70, se estendem até os dias de hoje.

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Pelos depoimentos é delimitado como o movimento feminista deriva de uma urgência muito grande em acabar com privilégios e desigualdades não justificadas que incomodavam toda a classe de mulheres, foi uma resposta ao conservadorismo que as silenciava. Abordam também a relação que mantiveram com homens ao longo de diferentes momentos de suas vidas – o relacionamento entre sexos é antes de tudo um relacionamento político.

Feministas: O Que Elas Estavam Pensando? é um documentário político e histórico mas que não se aprofunda nas questões que coloca como chaves. É um bom filme para se sensibilizar pela causa tão relevante, mas não é o suficiente para se entender a fundo os processos que conceberam a revolução sexual e de gênero dos anos 70.

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