A última década do cinema blockbuster mundial foi tomada completamente por filmes de super-heróis. Foram vinte títulos lançados, até então, pela Marvel Studios em seu ambicioso projeto de universo cinematográfico. Ao somar-se esse número com outras produções não tão bem sucedidas do sub-gênero se obtém uma quantia quase exagerada de produções que estão, há alguns anos, se revelando formulaicas e cansativas. Esse não é o caso, de maneira alguma de Homem-Aranha: No Aranhaverso.

A animação capturou a atenção dos fãs do herói desde o primeiro trailer, que exibia as belíssimas técnicas utilizadas no filme, unindo realismo, sketch (rascunho), glitch (estilo que imita falhas), entre outros. E o longa apresentou tudo isso e muito mais. Os personagens são belíssimos, a cidade é viva, as inserções de elementos das histórias em quadrinhos, tudo dialoga de maneira enérgica e empolgante, retendo o interesse do público desde os créditos iniciais.

O filme é a melhor e mais fiel adaptação ao estilo de histórias em quadrinhos, tanto pelo seu estilo visual, quanto pelo aspecto narrativo. É muito comum que as representações de heróis no cinema puxem para um lado sombrio, direção tomada pelos estúdios após o sucesso estrondoso da trilogia Cavaleiro das Trevas de Cristopher Nolan. Desde então essa linguagem vem se repetindo, não necessariamente em favor dos personagens representados. Em Homem-Aranha no Aranha Verso somos presenteados com a comicidade e energia que o herói merece.

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O longa tratou muito bem da origem do Homem-Aranha de Peter Parker, fazendo, inclusive, piadas sobre a repetida história de Tio Ben, “grandes poderes e grandes responsabilidades” e mais outras cenas que ninguém aguenta mais. A introdução do protagonista Miles Morales, em contraponto, é muito bem construída. Ele, juntamente a sua família e ao seu bairro, são apresentados de maneira brilhante através do uso da imagem, do som e do texto em si. Cada personagem apresentado possue uma história interessante, mesmo que implícita, que os torna vivos e profundos, salvo os vilões secundários. Mas falando em personagens maus, o Rei do Crime, tem uma construção de personagem rápida, porém eficaz. E a cientista Olivia Octavius, por se tratar de uma releitura de um vilão tão icônico, dispensa apresentações, porém se mostra uma vilã à altura.

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Junto aos personagens está uma narrativa muito bem construída e repleta de mensagens positivas sobre assuntos como coletivismo, inclusão, compaixão, entre muitos outros. E encontra espaço ainda para tocar em temas sociais e humanos sempre de maneira bem humorada. A inserção do elemento de múltiplas realidades e universos foi explorada com maestria, e dá espaço para o filme explodir em criatividade, tanto em estética de animação, quanto em narrativa e discurso. A ideia de que “qualquer um pode ser o homem-aranha” funciona desde a primeira vez em que é passada ao público, e só se fortalece ao decorrer da narrativa.

O humor é outro aspecto muito presente no filme, e não poderia ser diferente para um personagem como o Aranha, porém é muito diferente daquele apresentado em filmes mais “tradicionais” de herói, e grande parte disso se deve ao estilo da animação. Muitas das piadas são inseridas em tela através de grandes textos, ou inserções que imitem histórias em quadrinhos. Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman, extraíram humor de todos os lugares que podiam, até mesmo do estilo de animação distinto de alguns dos personagens.

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Homem-Aranha: No Aranhaverso é, sem sombra de dúvida (para o autor desta resenha, claro), o filme de super-herói mais criativo, inovador e empolgante já lançado, e não poderia ser uma homenagem maior ao recentemente falecido Stan Lee, criador do herói. Por sinal, a aparição deste (que nao poderia faltar) é emocionante, assim como sua citação ao final do filme, que tanto agrega à mensagem. Com certeza o filme é uma obra a altura da genialidade do autor, e da magnitude de seu personagem. E merece ser assistido e reassistido nos cinemas, pois se trata de um espetáculo visual.

 

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