Dirigido por Taika Waititi (Thor: Ragnarok), o filme de drama e comédia satírica Jojo Rabbit (2019) é um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme. Com classificação 16+, o filme conta 1h48m de duração e finalmente chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, em 06 de fevereiro, pela 20th Century Fox do Brasil.

Confira o trailer legendado de Jojo Rabbit:

Sobre o Enredo

Jojo (Roman Grifin Davis) é um jovem garoto alemão que, com seu nacionalismo cego, se prepara para entrar para a Juventude Hitlerista em plena Segunda Guerra Mundial. Com sua mãe sempre ocupada, vive na companha de Adolf Hitler, seu amigo imaginário, até descobrir que uma garota judia está escondida em seu sótão. Conversando com a Jovem Elsa (Thomasin McKenzie), questionará tudo aquilo em que sempre acreditou quanto ao nazismo.

Enquanto a maioria dos filmes ambientados na Segunda Guerra Mundial são extremamente dramáticos e soturnos, Jojo Rabbit chama a atenção por sua representação satírica de Hitler que, acompanhada do protagonismo de um jovem de apenas dez anos de idade, ganha um ar completamente novo. É sob a ótica infantil, de inocência e comicidade, que a obra aborda como as crianças privilegiadas enxergavam a guerra e como, muitas vezes, suas opiniões não eram exatamente suas, mas sim imposições do estado ou da sociedade.

Resenha | Jojo Rabbit (2019)

Elenco e Personagens

As performances são extremamente caricatas e exageradas, principalmente quanto ao Hitler Imaginário e à mãe do protagonista. Tal comentário poderia ser uma crítica destrutiva em qualquer outro filme, mas é um dos pontos mais altos de Jojo Rabbit que, por ser uma sátira, permite gracejos em suas representações para reforçar estereótipos com o objetivo de levar o público ao questionamento.

É assim que Scarlett Johansson conquista uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua participação como mãe do jovem principal: sua entonação excessiva causa certa estranheza, sim, mas tudo parte de um plano pelo bem da climática desmoderada do filme.

Jojo, vivido por Roman Grifin Davis, é o personagem mais tridimensional da narrativa e acompanhar seu desenvolvimento, descobertas e a busca por uma nova identidade além do nazismo é uma verdadeira lição de vida.

Direção e Fotografia

Taika Waititi, diretor de Thor: Ragnarok (2017), toma a cadeira de direção de Jojo Rabbit — mas nem por isso se afasta do elenco, assumindo também o bigode de Hitler em uma cômica representação do Führer da Alemanha Nazista. Waititi tem uma pegada divertida que funciona muito bem, seja na atuação como na direção, e sua criatividade para lidar com tal história de carga dramática pesada com tamanha comicidade é, no mínimo, genial.

As cores também são grandes atrativos do filme, com sua paleta extremamente agradável aos olhos que mistura cores leves e vibrantes com graça, exibindo o verde e o vermelho em uma luta por destaque, sobressaindo-se de tons mais neutros e terrenos.

Jojo Rabitt brinca, ainda, com um jogo de câmeras divertido que “esconde” o Hitler imaginário e o faz reaparecer nos lugares menos prováveis, acompanhando o consciente do protagonista em seus diálogos com aquele que admirava, mas passa a questionar. Algumas tomadas ambientadas no porão também são visualmente empolgantes, apresentando uma iluminação mais sombria e closes que estimulam a sensação claustrofóbica de viver escondido.

Elsa em muito lembra Anne Frank, se esta tivesse vivido o suficiente para chegar à adolescência. Esperta, desbocada, entusiasmada pelo fim da guerra e sobretudo esperançosa, a personagem judia é um alívio em meio ao caos da trama e seu próprio caos interno, e a peça que faltava para o desequilibrado Jojo encontrar a si mesmo.

Cenografia e Figurino

Grande parte do filme toma a própria casa do protagonista como ambientação, e são explorados diversos cômodos, cada qual muito bem detalhado de acordo com sua função. O quarto de Jojo é o próprio exemplo de um jovem hitlerista, enquanto a presença do porão hospedado por uma judia fugitiva sugere que algum outro personagem da história possa não esta tão de acordo assim com as normas do nazismo. A paleta de cores se repete ainda nos cenários internos.

O figurino traz as melhores vestimentas que um povo privilegiado em meio a Segunda Guerra Mundial poderia possuir, e não deixam de retratar a desigualdade social quando, por exemplo, os trajes de Scarlett são elegantes e extravagantes, mas Elsa, em seu porão, usa trapos sujos e amarrotados que não lhe favorecem, mas dizem muito sobre sua posição e condição.

Por fim, Jojo Rabbit é um grande filme que trabalha muito bem aquilo a que se propõe, divertindo o público com uma performance satírica de Hitler, mas sem deixar de explicitar os males da guerra e do nazismo. Quanto a indicação ao Oscar de Melhor Filme, a resposta só será dada em 09 de fevereiro, durante a cerimônia de premiação — e que vença o melhor.

E você, o que achou de Jojo Rabbit? Conta para ente nos comentários!


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