Labirinto do Medo é uma série de terror, dirigida por Gareth Crocker e estrelada por Anthony Oseyemi, Shamilla Miller e Rea Rangaka. Estreou na Netflix no dia 16 de abril e tem classificação de 16 anos. 

Enredo

Na série acompanhamos Will Stone, um famoso escritor de livros de terror com temática sobrenatural, que, acompanhado por outros dois amigos — contra a sua vontade —, resolve passar um tempo em Joanesburgo, sua terra natal, para escrever um novo romance e investigar casos locais, sobrenaturais ou não. Cada episódio é um caso novo, que Will e seus amigos precisam investigar e resolver. Algumas histórias parecem tão absurdas, que nem mesmo o próprio Will, que é sensitivo e já viu quase tudo, consegue acreditar sem presenciar realmente. A cada episódio, um novo perigo, que sempre coloca os três em risco. Mas será mesmo que o mal é sempre algo sobrenatural? Ou devemos ter mais cuidado com os vivos?

Até o segundo episódio, o roteiro parece um tanto perdido, principalmente no segundo, que, apesar de ter algumas referências interessantes a filmes de terror e uma boa premissa — mesmo clichê —, é confuso, extremamente exagerado e lotado de absurdos que beiram o ridículo. É nesse momento que você pode se perguntar: por que estou perdendo o meu tempo? Mas pode ficar tranquilo, porque as coisas melhoram consideravelmente a partir do terceiro episódio. Como é dito na série, não julgue pela capa. Labirinto do Medo é ruim logo de cara? Sim, mas apenas nos dois primeiros episódios, então não desista. A partir do terceiro — principalmente a partir do quinto —, a produção melhora e mantém um bom ritmo até o fim.

O roteiro consegue aproximar os personagens principais do público, que tende a acolhê-los e torcer por suas vitórias a cada episódio. O terror não é o ponto forte do roteiro, que deixa a desejar nesse quesito, já que a série não consegue assustar, tampouco causar qualquer tipo de medo. Incomoda, sim, mas não assusta nem amedronta. A produção ainda surpreende, com uma reviravolta totalmente inesperada no último episódio. É realmente surpreendente.

A narrativa é arrastada até o segundo episódio, mas, depois, o ritmo se torna bem mais intenso e as histórias fluem melhor e com mais dinamismo. Em cada episódio, é utilizado o recurso do passado e do presente, já que Will e Kelly sofrem muito com traumas e têm diversos flashbacks — ela, inclusive, tem muitos pesadelos.

Elenco e Personagens

Apesar de parecer, o terror não é o foco da série, mas sim os personagens e seus muitos traumas e problemas pessoais. O espectador é apresentado, de forma profunda e competente, aos três personagens principais e seus medos e pesadelos do passado, que continuam a atormentá-los.

Anthony Oseyemi faz um bom trabalho como Will, um homem corajoso, que dedica sua vida a ajudar as pessoas a se livrar de seus demônios — sobrenaturais ou não — e a escrever sobre o sobrenatural. Oseyemi tem uma atuação convincente a maior parte do tempo, apesar de dar algumas “escorregadas” às vezes, que deixam sua atuação um pouco menos natural e crível. Mas ele trabalha bem e faz um belo trio com Miller e Rangaka: os três têm química e se dão bem em cena, o que rende ótimos momentos.

Shamilla Miller dá vida a Kelly, uma influenciadora digital que Will conhece logo no primeiro episódio e é contratada pelo seu agente — mesmo contra a vontade do escritor — para ajudá-lo em suas investigações em Joanesburgo. É uma mulher corajosa, resiliente e extremamente empática, muito bem interpretada por Miller, que tem uma atuação vibrante e muito calorosa, sempre dando ainda mais energia às cenas. A atriz é muito convincente e tem uma atuação bastante crível: ela consegue transmitir todas as emoções e o espectador sente seu medo, seu desespero e toda a sua agonia; da mesma forma, também é contagiado pela sua alegria e pelo seu otimismo.

Rea Rangaka, ao lado de Miller, é um dos destaques da série. Com uma atuação muito crível e natural, ele apresenta ao público um homem extremamente cético e ranzinza, o que rende momentos muito engraçados e divertidos. Joe, um ex-policial, contratado como motorista e segurança de Will, não acredita no sobrenatural, até dar de cara com um espírito logo no primeiro episódio. Apesar da descoberta, a cada nova história, ele segue cético, até poder ver e presenciar realmente. Rangaka se entrega totalmente ao personagem e tem uma atuação muito intensa.

Ele é o mecanismo de humor da série, mas sem ser exagerado: seu humor é natural, nada forçado, e sempre certeiro. Apesar das piadas bobas, seu jeito ranzinza e espontâneo é muito engraçado. O ator tem uma boa conexão com Miller e Oseyemi e os três, em diversos momentos, carregam a produção nas costas.

Direção e Fotografia

A direção talvez seja o ponto mais fraco da série, embora não faça um trabalho ruim. Em relação ao terror, que é o tema central de Labirinto do Medo, ela não vai muito bem, já que não consegue, em momento algum, causar medo. Há alguns momentos de tensão e suspense, mas não passa disso: não consegue assustar, tampouco dar qualquer tipo de medo. Até o segundo episódio, os inúmeros jumpscares totalmente desnecessários e previsíveis apenas atrapalham, mas, a partir do terceiro, a direção consegue construir melhor a atmosfera de terror e abandona boa parte desses sustos malfeitos. 

A fotografia colabora bastante para a construção desse clima sombrio, já que permanece escura boa parte do tempo, principalmente quando estão no meio de algum caso. Ainda assim, a fotografia é colorida, principalmente os figurinos e os cenários. Apesar dos efeitos especiais não serem bons, há uma parte muito interessante no sexto episódio, quando uma luz vermelha envolve todo o ambiente: é bonito, bizarro e assustador, tudo ao mesmo tempo.

Uma coisa muito interessante da série é a questão cultural e religiosa: o espectador, através de algumas histórias, conhece um pouco mais sobre a cultura sul-africana, principalmente em relação à religião. Outro ponto positivo é a boa dosagem do humor, que, apesar de estar muito presente — principalmente através de Joe —, mantém um nível agradável para uma produção desse gênero e não perde o foco no terror. 

Cenografia e Figurino

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Por ter uma história diferente em cada episódio, a série é composta por diversos cenários: o aquário local, as casas das famílias que os personagens principais ajudam, a delegacia da cidade, um lago, florestas, a enorme e perigosa árvore do sexto episódio, a casa que Will fica em Joanesburgo, quartos de hotéis, a enorme e assustadora casa escondida do último episódio, o carro de Joe, claro — que aparece diversas vezes, entre as tantas viagens dos três —, entre muitos outros lugares estranhos e comuns.

O figurino não muda muito: na maior parte do tempo, os personagens estão vestindo roupas casuais, mas, muitas vezes, também de frio. Há, também, alguns uniformes e roupas formais. O figurino é bem colorido, como já foi dito.

 

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