Lazzaro Felice, o novo filme de Alice Rohrwacher, tem um núcleo profundamente ancorado na cultura secular italiana. Imerso em suas tradições de costumes e “contação” de histórias, o filme traz beleza e sutileza.

O longa-metragem parece ao mesmo tempo atemporal e moderno. Mas, especialmente em sua segunda parte, não consegue se decidir entre ser literal, alegórico, simplesmente anedótico ou uma espécie de associação de todas essas possibilidades.

O personagem titular (Adriano Tardiolo), que parece um jovem angelical de cabelos escuros, é considerado pelas pessoas ao seu redor como um rapaz simplório. Lazzaro mora em Inviolata, uma pequena aldeia que parece completamente isolada nas colinas.

A propriedade é dominada pela altiva Marchesa Alfonsina de Luna (Nicoletta Braschi), que tem cerca de 50 pessoas trabalhando para ela em sua plantação de tabaco como meeiros.

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À medida que o início se desdobra, fica claro que praticamente tudo é feito como antigamente. Embora tenha a luz elétrica e carros de modelos mais velhos, fica claro que a história não pode ser definida há mais de três décadas.

Isso significa que, teoricamente, é ilegal que a marquesa ainda tenha meeiros. Isso porque eles deveriam ter se tornado trabalhadores pagos há tempos. De fato, seu filho Tancredi (Luca Chikovani), imagina o quanto mais a mãe pode manter esse fato em segredo das pessoas que ela claramente explora.

Lazzaro Felice tem toda a beleza artística da cultura italiana

Por mais ou menos durante a primeira hora, Lazzaro Felice move alguns elementos muito interessantes do lugar. O bom comportamento de Lazzaro torna-se o parâmetro de comparação com o qual a conduta menos digna de todos é medida.

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Há crueldade, assim como humanismo, pessoas presas em destinos que não escolheram para si. Muitos estão até inconscientes de que outras possibilidades estão por aí. Rohrwacher mostra um toque rural garantido que lembra os filmes italianos de antigamente. Filmes que abordavam a classe trabalhadora e a população camponesa, assim como as obras literárias clássicas.

Lazzaro Felice se arrisca muito porque é lindamente feito e bem representado. Mas parece que a segunda parte precisava de mais alguns rascunhos antes que estivesse pronta para entrar em produção.

 

 
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