A nova série teen chegou à Netflix nesta sexta-feira (7) e já é popular entre o público. A história de Locke & Key é baseada na série de quadrinhos homônima de Joe Hill e Gabriel Rodriguez.

Enredo

A história de Locke & Key é contada em 10 episódios sob os gêneros horror sobrenatural e drama, mas a impressão é de que a série vai mais para o lado da fantasia do que do terror, como o trailer dá a entender. O enredo começa com a mudança da família Locke após o assassinato de Rendell Locke, o pai. Nina (Darby Stanchfield) e os três filhos chegam à cidade de Matheson para ocupar o casarão pertencente à ancestralidade Locke. Logo de início, o filho mais novo, Bode (Jackson Robert Scott), começa a encontrar chaves escondidas pela casa capazes de fazer coisas mágicas. Então seus irmãos mais velhos, Tyler (Connor Jessup) e Kinsey (Emilia Jones), também tomam conhecimento das chaves. Porém, junto com a euforia pela descoberta mágica, vem a ameaça de uma criatura que procura por elas e não medirá esforços para consegui-las.

O conceito por trás de Locke & Key é muito interessante e tem potencial para atrair vários fãs, porém a série em si não tirou tanto proveito dessa possibilidade quanto poderia. Talvez por ser uma adaptação de quadrinhos já consolidados, e produção não tenha percebido que muitas questões sobre a origem das chaves e o universo de poderes que elas integram não foram exploradas. Pode ser também que tenha sido por opção, imaginando que não caberia toda a contextualização em 10 episódios ou pensando em deixar um caminho para a próxima temporada. De qualquer forma, isso acabou acumulando algumas pontas soltas no enredo.

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Outros furos são vistos no decorrer da série, como certas situações em que as chaves poderiam ter sido usadas e simplesmente não foram, causando um atraso no desenvolvimento e até indicando imaturidade dos personagens. Desde a descoberta das chaves, a interação dos personagens com elas foi crescendo gradualmente, mas por outro lado, parece que eles não evoluíram muito no senso de responsabilidade sobre os poderes.

Fora isso, a progressão da série foi muito boa. Apesar de a intenção principal da vilã (de tomar as chaves) ter sido afirmada desde o começo, seus propósitos foram sendo revelados em partes. A retomada de eventos anteriores para explicar o “como” em cenas mais avançadas foi muito bem feita, encaixando todas as peças e mostrando um bom planejamento.

Além do final obviamente inconcluso e dependente da segunda temporada, muitas coisas ficaram em aberto para próximos episódios. É provável que, se renovada, Locke & Key traga, além da continuação do episódio final, um pouco mais do passado dos Locke e dos guardiões das chaves.

Personagens e elenco

A trajetória dos irmãos Locke é interessante, pois mesmo que os três desempenhem papéis semelhantes (filhos de um homem assassinato cujo segredo envolve chaves mágicas) e tenham que bancar os heróis em alguns momentos, cada um o faz de uma maneira diferente.

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Pode-se dizer que o arco de Kinsey foi melhor desenvolvido que o de Tyler. Ela cria um círculo social na escola maior do que ele, e ela também é mais ativa no que diz respeito às chaves e a investigar os segredos da Key House. Bode desempenha um papel infantil equilibrado entre inocência e sagacidade. Sua ótima atuação já era esperada, se tratando de Jackson Robert Scott, conhecido por interpretar Georgie Denbrough em It e It – Capítulo Dois.

Alguns personagens ficaram um pouco deslocados dentro da trama. Sam Lesser, por exemplo, divide o palco como vilão, mas traz uma história clichê e ainda tem seu desenvolvimento interrompido.

Direção e fotografia

A fotografia de Locke & Key é muito relevante para história, pois o jogo de iluminação de cores foi necessário para formar os climas de tensão, magia e intimidação. O enquadramento também foi muito bem trabalhado, e muitas cenas desafiantes foram bem executadas, como as tomadas externas nas cavernas.

Quanto à equipe de desenvolvimento, grandes nomes foram envolvidos no processo, como Carlton Cuse (Lost), Meredith Averill (A Maldição da Residência Hill) e Aron Eli Coleite (Heroes). O próprio Joe Hill também trabalhou como produtor executivo, inclusive escrevendo o episódio piloto.

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Cenografia e figurino

Por se tratar de uma série voltada ao público jovem, Locke & Key apostou em figurinos modernos, criando personagens marcantes. O destaque com certeza vai para Scot-com-um-T Cavendish (Petrice Jones), cujo estilo chega a ser controverso.

As filmagens externas aconteceram no Canadá, principalmente em Ontario e Lunenburg. Incrivelmente, as filmagens da mansão foram feitas num set interno da Cinespace Studios.

Curiosidades

A história de Locke & Key quase foi adaptada dos quadrinhos para as telas por três vezes. Primeiro em 2010, com a produção de um episódio piloto a ser exibido pela Fox, porém no ano seguinte o estúdio anunciou que não tinha interesse em levar o projeto à frente. Então em 2014, na San Diego Comic-Con foi anunciada uma trilogia de filmes, mas em 2015 Joe Hill confirmou que não ia rolar. Em 2017, a Hulu encomendou um episódio piloto, cuja escalação já trazia Jackson Robert Scott, mas no ano seguinte, a empresa desistiu do programa.

Foi quando finalmente a Netflix trabalhou num novo piloto com uma nova equipe, e em julho de 2018, oficialmente a plataforma anunciou a encomenda de uma primeira temporada.

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