Até onde você é capaz de ir por um sonho? Maggie Fitzgerald (Hilary Swank) nos mostra que não há limites para conseguir o que desejamos. Menina de Ouro não conseguiu tantos prêmios à toa. Tem seus méritos, e não são poucos. Poderia ser apenas um filme sobre boxe, mas ele surpreende e se mostra um drama competente e emocionante.

Menina de Ouro conta a história de Maggie Fitzgerald, uma mulher pobre, que trabalha como garçonete, há anos, e tem o sonho de se tornar boxeadora profissional. Para realizá-lo, ela vai atrás de Frankie Dunn, um treinador de boxe, que mantém uma academia praticamente falida. Mas ela encontra um obstáculo: Frankie se recusa a treiná-la, com a desculpa de que não treina mulheres. Não sabemos se é machismo ou apenas receio de se aproximar de alguém que lembra sua filha (com quem ele até tenta, mas não consegue manter uma relação próxima). Mas a teimosia e determinação de Maggie convencem o homem a treiná-la. Começa, então, uma relação de companheirismo que parecia bem improvável.

O filme, apesar de longo (mais de 2 horas de duração) não se torna cansativo em momento algum. Possui uma narrativa lenta, o que é totalmente necessário, para que possamos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e a evolução dos personagens. O recurso do narrador (feito de forma competente por Morgan Freeman) é bem interessante, mesmo que, algumas vezes não tenha sido necessário. Também é interessante como a narrativa trabalha a questão do boxe, dando dicas e explicando sobre várias características do esporte. Na verdade, este é só usado como uma espécie de pano de fundo, para contar o drama de Maggie e mostrar que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Mas o filme não é só drama o tempo inteiro: também nos faz rir, em algumas partes, principalmente com o personagem Danger Barch (Jay Baruchel).

A direção de Clint Eastwood, que também assina a produção, não é das melhores, mas não é ruim. Ele consegue conduzir as cenas e os atores com competência, inclusive nas lutas. Até mesmo nesses momentos o filme passa veracidade.

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As atuações são muito boas e seguram o longa. Morgan Freeman e Clint Eastwood formam uma bela dupla, não melhor do que Clint e Hilary. Os três estão sensacionais, convencem e emocionam com suas belíssimas atuações. Freeman faz um ótimo trabalho como o ex-lutador é melhor amigo de Frankie, Eddie. Eastwood trabalha de forma impecável. A evolução do seu personagem é nítida, assim como todas as suas nuances. Ele atua de forma minimalista e muito sutil, o que é essencial para viver Frankie, que é um homem frustrado e um tanto mal-humorado. Hilary Swank é, sem duvidas, o maior destaque do filme. O seu brilhantismo e a sua competência são suficientes para elevar o filme a um patamar muito mais alto. Ela realmente brilha, do início ao fim. Uma atuação memorável, talvez tanto quanto a de Meninos não choram. Swank convence e nos emociona do início ao fim, com uma das melhores atuações da sua carreira, se não a melhor. O carisma, o entusiasmo e a determinação que ela impõe à personagem fazem com que o público torça por ela a todo momento. Sua entrega à Maggie é impressionante.

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A fotografia não chama muito a atenção, exceto pelos tons neutros e muito escuros. A iluminação é, na maior parte do tempo, muito baixa, combinando com os dramas dos personagens. Há um contraste nas cenas das lutas, quando as cores se tornam mais vivas, mesmo que a iluminação continue baixa. O posicionamento de câmera é muito bom, dando destaque às expressões dos atores, quando necessário, nas cenas de maior carga dramática. O figurino é, a maior parte do tempo, composto por roupas esportivas, já que estão, quase sempre, na academia ou nos ringues. 

Menina de Ouro é muito mais do que um filme sobre boxe. E olha que eles falam disso quase o tempo inteiro. Posso dizer que respiram boxe. É forte, pesado, surpreendente. É um drama sobre superação, coragem e determinação. Maggie tinha tudo para desistir da carreira: dificuldades financeiras, idade um pouco avançada para o boxe (como Frankie disse) e uma família que não a apoiava e só pensava na compensação financeira. Mas ela não desistiu e lutou até o fim. Menina de ouro é uma obra muito simples e cheia de sutilezas, que nos emociona e nos ensina que não podemos desistir dos nossos sonhos. 

 
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