Minari, indicado ao Oscar de Melhor Filme e outras cinco categorias, foi um dos longas-metragens mais comentados e aclamados desta edição da premiação, ainda que tenha levado apenas uma estatueta para a casa. Mas será que vale a pena assistir ao filme?

Confira o trailer logo abaixo:

Enredo

A trama conta a história de uma família coreana-americana que se muda da Califórnia para o Arkansas em busca de melhores terras para o plantio, mas acaba encontrando muitas dificuldades no caminho. Eles vivem em um trailer e lidam com a constante falta de água e de dinheiro enquanto perseguem o Sonho Americano, não tão fácil de ser atingido como a história faz parecer. Principalmente quando o caçula da família, David, tem uma grave doença e não parece muito feliz com seu novo estilo de vida após a chegada de sua avó materna, cheia de costumes coreanos estranhos para o garotinho que nasceu e cresceu nos Estados Unidos.

No entanto, essa relação tem muito a se desenvolver enquanto o filme mostra, ainda, o racismo enraizado nas culturas ocidentais, deixando os personagens oscilarem entre os contextos familiares, profissionais e mesmo religiosos conforme tentam se encaixar em um padrão de vida e de cultura que é vendido como o ideal.

O roteiro, escrito por Lee Isaac Chung, que também dirige o longa, é bastante intimista, sendo aquele tipo de filme um pouco mais parado do que a maioria das pessoas possa ter paciência para assistir, mas revelando algumas boas joias no percurso, principalmente com seu time de personagens carismáticos.

Elenco e Personagens

A avó pode ser, teoricamente, uma personagem secundária, mas na prática é ela quem rouba para si todo o bilho da trama — tanto que sua intérprete, Youn Yuhjung, levou para a casa o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, sendo a primeira atriz coreana indicada e premiada em todos os 93 anos de história do evento mais importante da indústria cinematográfica.

Uma ahjumma tipicamente coreana, Soonja não se encaixa no estereótipo ocidental da avô carinhosa que enche seus netos de comidas gostosas e abraços: ela não sabe cozinhar, fala palavrão e sua forma de demonstrar afeto pode não ser tão explícita para uma criança coreana-americana, que ainda está aprendendo sobre os costumes de sua ascendência e vive duas culturas distintas em uma única identidade.

Resenha | Minari: Em Busca da Felicidade (2020)

Alan Kim interpreta o pequeno David, prêmio “iti malia” garantido por seu jeitinho fofo de quem está descobrindo o mundo, experiência cheia de altos e baixos, de alegrias e decepções, mas essenciais para seu crescimento. A avó é uma dessas montanhas-russas que encontra em seu caminho: de início, assustadora, mas logo se torna uma companhia divertida em meio a pacata vida no campo.

Steven Yeun, protagonista na pele do pai Jacob, está mais para um secundário na trama: sua história de busca pelo Sonho Americano, da necessidade do sucesso financeiro para a própria felicidade, é um tema extremamente importante a ser abordado na obra, mas que acaba sendo menos interessante ao público do que o encontro de dois mundos na relação avó-neto, verdadeiros protagonistas de Minari.

Direção e Fotografia

Lee Isaac Chung é essencial para a direção talvez nem tanto por seus talentos com uma câmera em mãos — que são inegáveis, não me interprete errado —, mas sua relação intrínseca com a história que está contando. O enredo, escrito por ele mesmo, é inspirado em suas próprias vivências como filho de imigrantes coreanos. Lee revisita sua infância, se vestindo de David, para contar sobre não a sua história, apenas, mas a plural história dos coreanos que migraram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades de vida.

Com essa visão ao mesmo tempo interna e externa de sua narrativa, a fotografia ganha tons extremamente intimistas ao se infiltrar no retratado cotidiano de uma família coreana-americana durante 25 dias de filmagem. Poderia facilmente se passar por um documentário, de tão realista.

Cenografia e Figurinos

As cenas mais interessantes são as passadas no “riacho de Minari”, apelido dado pela avó para o local onde escolheu para plantar suas sementes de minari trazidas da Coreia, planta que dá nome ao filme e se torna um personagem vivo e ativo na narrativa do longa-metragem.

As roupas não parecem dizer muito, mas são essenciais para transportar o espectador direto para a década de 80, na qual o filme é ambientado. A coloração do longa também colabora para esse efeito de viagem temporal, com seus tons alaranjados que refletem algo velho, mas não tão distante assim, tal como o calor da região em que se passa a história de Minari.

Resenha | Minari: Em Busca da Felicidade (2020)

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