Lançado em 2019 nos cinemas mundiais, O Escândalo (Bombshell) foi um dos grandes destaques do ano e concorre a diversas categorias no Oscar 2020, incluindo Melhor Filme. O filme conta com direção de Jay Roach e é protagonizado por Charlize Theron, Nicole Kiman e Margot Robbie.

Assista ao trailer de O Escândalo:

Sobre o Enredo

Baseado em uma história real, O Escândalo acompanha a queda de Roger Ailes, CEO da Fox News, após jornalistas da emissora tornarem público que foram vítimas de assédio sexual no ambiente de trabalho. Com o cerne da narrativa ambientado em 2016, trata-se de uma história atual e necessária.

Ao seguir majoritariamente o ponto de vista das três mulheres protagonistas, apresenta ao público mundial todo o machismo por trás do telejornalismo da Fox News, emissora conservadora que teve grande papel na eleição de Trump, no mesmo ano.

Resenha | O Escândalo (2019)

Desde o código de vestimenta feminina, pensado para conquistar os olhos do público, até os assédios sexuais e morais contra as profissionais, tudo é apresentado de forma crua e realista, documentando a dor e o medo vivido por todas as redatoras e âncoras da emissora.

Elenco e Personagens

As personagens vividas por Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie são, respectivamente, Megyn Kelly, Gretchen Carlson e Kayla Pospisil. Megyn e Kelly são grandes nomes do jornalismo da Fox News e figuras importantes na luta pela queda de Ailes e pela exposição da verdade. Kayla, entretanto, é uma personagem fictícia.

O Escândalo não é exatamente um documentário, mas uma dramatização que documenta um fato e, como o próprio longa explicita nos letreiros iniciais e finais, “alguns dos nomes foram mudados e certas cenas, diálogos e personagens foram criados para propósitos dramáticos“. Kayla é uma dessas personagens.

Kayla representa todos os desejos e ambições de uma jovem que acaba de realizar o seu sonho profissional, entrando para uma grande empresa de comunicação, mas sem imaginar que o conservadorismo da Fox News, tão respeitado por ela e sua família é uma faixada para inúmeros casos de assédios e abusos, e a jovem garota precisará rever seus conceitos enquanto conhece a dura verdade. E Margot Robbie foi divina em sua interpretação.

Direção e Fotografia

Talvez o grande erro desse filme tenha sido a escolha de Jay Roach para diretor: por que não uma mulher? Considerando o peso que a narrativa tem principalmente nas vidas femininas, que diariamente enfrentam situações semelhantes em seus próprios meios profissionais, em casa e em outros espaços, o olhar de uma mulher na direção fez grande falta.

Com perdão pelo spoiler, mas há uma cena específica com Margot Robbie que mostra o assédio sofrido por Kayla e o close em sua calcinha torna-se completamente desnecessário. Como uma mulher assistindo, foi algo extremamente incômodo de ser assistido, e haveriam inúmeras outras formas de se abordar essa cena para causar impacto emocional sem precisar do apelo visual/sexual. Um belo ponto negativo para a trama.

Tirando esse close desnecessário, outras cenas de aproximação foram muito bem utilizadas para causar suspense, quando as personagens conversavam baixinho, por exemplo, como se o público se aproximasse para poder ouvir também.

Cenografia e Figurino

A cenografia é bastante realista quanto a uma redação jornalística de uma grande empresa, deixando clara a bagunça e a grande quantidade de profissionais ocupados em tentar conquistar o seu próprio espaço na emissora. Sonho para poucos, diga-se de passagem.

O figurino, dentro da redação, exemplifica o dress-code machista: como profissionais que precisam de constante locomoção podem trabalhar de salto-alto e vestidos curtíssimos? Como calças podem ser proibidas a mulheres em pleno século XXI? A abordagem da livre escolha de roupa é importantíssima. Tanto quanto o restante do filme.

Com uma mensagem clara e objetiva quanto ao assédio sexual no trabalho, o medo, o peso do dinheiro e a necessidade feminina de dar voz a sua própria voz, o filme é ótimo no que se propõe: contar uma história pesado e dramática de forma lúdica, com excelentes atuações e dramatizações que entretém o público. Só faltou a representatividade na cadeira da direção.

E você, o que achou de O Escândalo? Vale o Oscar de Melhor Filme? Conta pra gente nos comentários!


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