Sinopse: Marco Ruffo (Selton Mello) é um delegado aposentado da Polícia Federal obcecado pelo caso que está investigando. Quando menos espera, ele e sua aprendiz, Verena Cardoni (Carol Abras), já estão mergulhados em uma das maiores investigações de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil. A proporção é tamanha que o rumo das investigações muda completamente a vida de todos os envolvidos.

A segunda série brasileira da Netflix vem com a missão de adaptar os acontecimentos da operação Lava Jato, um trabalho complexo e minucioso que estava nas mãos do já experiente José Padilha.

A produção de 8 episódios gira em torno de seus dois protagonistas, Marco Ruffo e Verena Cardoni, interpretados por Selton Mello e Caroline Abras, dois policiais que, em momentos temporais diferentes, tentam combater a corrupção no Brasil.

A trama é relevante e atual e consegue cativar até a parte dos telespectadores que não entende sobre política ou que não tem conhecimento sobre a Lava Jato. O roteiro funciona, em parte, devido ao seu didatismo presente nos “voice overs” que permitem que a trama trate um tema complexo de maneira acessível.

Além disso, funciona quando foca nas tramas policiais e jurídicas, tratando-as com ritmo e dinamicidade e trazendo emoção àquilo que poderia se tornar monótono e desinteressante.

Tecnicamente, a série se eleva com uma fotografia que sabe aproveitar as cidades brasileiras em que a trama se passa, assim como a trilha sonora e a direção de arte, que trazem textura para a produção.

O principal acerto da série está em seus atores e suas boas construções de personagens. Selton Mello está ótimo como o policial viciado que não consegue abandonar o trabalho, mas quem brilha é Caroline Abras, que consegue transitar entre uma policial motivada e audaciosa e uma mulher insegura e que não está no controle de sua vida pessoal.

Outros que brilham são Enrique Diaz como Ibrahim e Otto Jr como o juiz Rigo. A produção não consegue se decidir se será uma obra com um leve baseamento na realidade ou se irá ser o mais verídica possível, o que deixa o telespectador confuso.

Portanto, “O Mecanismo” é mais uma produção da Netflix que se sobressai pela qualidade técnica e artística presente na fotografia, trilha sonora e design de produção, e que tem um enorme potencial devido ao seu senso de imediatismo e seu ótimo elenco.

Entretanto, com um roteiro irregular, que não sabe se deve ou não abraçar 100% a ideia de “baseado em fatos reais”, a trama se torna repetitiva e desinteressante em alguns de seus arcos.

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