Filme de Thriller e Suspense, a produção espanhola O Poço traz uma mistura de distopia futurista com terror e muito sangue. É importante destacar que o filme de Galder Gaztelu-Urrutia é proibido para menores de 18 anos, pois contém muitas cenas pesadas.

Sobre o Enredo

Goreng se voluntaria para ficar alguns meses em uma espécie de prisão, com o intuito de conseguir um certificado que almeja. Para ficar no local, ele pode escolher um objeto e leva consigo o livro de Dom Quixote.

Quando acorda, percebe que está em um local onde as celas são verticais e compostas por duas pessoas cada uma. No meio de cada cela existe um buraco retangular em que diariamente passa uma plataforma com alimentos para os detentos. O problema é que quanto mais abaixo for o nível do prisioneiro, menos comida ele recebe.

Buscando ser justo, ele tenta convencer seu colega de cela Trimagasi e os que estão acima e em baixo que comam menos e repassem aos outros para que também não exagerem, para que quem está nos últimos níveis tenha o que comer.

No princípio, o rapaz se nega a comer mas com o passar do tempo a fome fala mais alto. Em um dos momentos que a plataforma desce, ele vê uma mulher e descobre que ela procura seu filho, mas é vista por todos como louca pois crianças não são aceitas.

Com o passar dos meses, ele percebe como algumas pessoas podem ser cruéis e o que o ser humano é capaz de fazer para sanar a sua fome. Em certos momentos consegue encontrar pessoas como Baharat e Imogiri, que possuem pensamentos próximos ao seu e buscam quebrar as regras.

Sobre a Temática

A Netflix acertou ao adicionar O Poço em seu catálogo, afinal, a produção apresenta uma premissa diferente de tudo o que estamos acostumados e que sem dúvidas fará o público pensar.

O filme abre uma infinidade de interpretações, que podem envolver sociedade, política e religião. Em um mundo distópico, vemos um grupo de pessoas que precisam sobreviver durante o tempo que está naquele local.

Vemos uma espécie de hierarquia em que quem está nos primeiros níveis tem melhor (e exagerada) alimentação, enquanto muitos ficam com as sobras e a maioria ficam sem comer. Lembrando que aparentemente existem 200 níveis no poço.

Temas como egoismo e empatia são abordados, mostrando que a analogia da produção pode ser ligada ao que vivemos nos dias de hoje, em que a maioria não pensa no coletivo mas sim em si mesmo. O diretor Galder Gaztelu-Urrutia coloca o “dedo na ferida” de maneira magistral. O filme é cruel, nojento, assusta e intriga, porém é sensacional e uma ótima adição da Netflix.

Sobre o Elenco e Personagens

O protagonista Goreng mostra-se um bom homem, que busca mostrar as pessoas a importância de pensar no outro. Iván Massagué faz um trabalho impressionante ao conduzir seu personagem e consegue transmitir os sentimentos de Goreng.

Suas interações com Zorion Eguileor, que dá vida ao personagem Trimagasi são inteligentes e chamativas, rendendo até alguns momentos de humor negro. Eguileor é um ator carismático e consegue passar isso ao personagem.

O drama e a entrega de Alexandra Masangkay, ao ser escalada como Miharu é digno de um prêmio. Ela consegue retratar o lado humano de uma mãe ao buscar incessantemente a filha e o lado animal de quem mata para sobreviver.

Por fim, uma personagem parecida com Goreng é Imogiri, uma mulher que mostra solidariedade ao próximo ao ponto de dar a sua vida. O trabalho feito por Antonia San Juan e as interações com Iván são ótimas.

Sobre a Direção e Fotografia

Com direção de Galder Gaztelu-Urrutia, o roteiro apresenta um conceito diferente do que estamos acostumados a ver e é bem escrito visando através da distopia e violência fazer a sua crítica. Sem se importar em responder questões e inserindo um final em aberto, sua premissa que aparentemente é simples, apresenta camadas de metáforas e ironia.

A fotografia escura transmite a sensação de medo e desespero. A luz vermelha usada no momento em que os prisioneiros dormem, colabora para transmitir inúmeras sensações. Em muitos momentos, a câmera foca nos personagens a ponto de deixar o público claustrofóbico.

Sobre a Cenografia e Figurinos

Por se passar apenas naquela prisão, vemos apenas as pequenas celas com um buraco no meio, o que colabora para a impressão de solidão e tristeza. Da mesma maneira que o cenário é minimalista, o figurino também é. Com um uniforme que não chama a atenção, a direção do filme consegue focar o olhar do telespectador nos machucados e no sangue do ambiente.

Já assistiu o filme O Poço? Conta pra gente o que achou!


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