O diretor de La La Land (2016), Damien Chazelle, volta aos cinemas com um projeto ainda mais ambicioso que seu musical. O Primeiro Homem conta a história da vida de Neil Armstrong (Ryan Gosling), primeiro homem a pisar na Lua em 1969, em meio à guerra fria. O longa é baseado no livro homônimo de James R. Hansen.

Chazelle aposta em uma abordagem diferenciada para tratar de um tema tão amplamente conhecido. O foco do filme está na vida de Armstrong, e na desconstrução deste como o herói americano, não com a intenção de destruir a imagem do astronauta, mas sim de humanizá-lo. A história é desenvolvida majoritariamente através da vida pessoal e as dificuldades com que Neil precisou lidar ao decorrer da vida ao lado de sua esposa Janet (Claire Foy).

O filme é uma bela obra no que se diz respeito a técnica. A fotografia do filme, dirigida por Linus Sandgren, nos transporta para o íntimo da família Armstrong através de planos próximos e planos detalhe, com baixa profundidade de campo, que nos limitam às emoções e particularidades dos personagens. O público está junto à eles em seus momentos de sofrimento, e a câmera deixa isso muito claro. Em algumas das situações assume-se o ponto de vista do protagonista, para que possamos olhar através de seus olhos, sendo quase possível sentir o que ele está sentindo. Presenciamos a claustrofobia de estar dentro de uma cápsula espacial, e a agonia ao se deparar com uma dificuldade possivelmente letal.

Veja Também!  The Prom, novo musical da Netflix, ganha trailer

Esses sentimentos são brilhantemente acentuados através do belo trabalho da equipe de som. Nos momentos mais cruciais, nos vemos imersos na atmosfera enclausurada e ameaçadora do filme. Os alarmes tocando, a cápsula girando, as comunicações entre a terra e os astronautas, cada elemento é muito bem trabalhado para transportar o espectador para dentro da obra. A trilha sonora, apesar de pouco marcante, funciona bem em sua proposta, pois como disse antes, o filme não tem a intenção de engrandecer ou tornar o feito ainda mais heróico.

As atuações são muito convincentes. Ryan Gosling, como sempre, se mostra confortável em interpretar um personagem frio e complexo, e consegue entregar o personagem de maneira muito potente. Claire Foy também se destaca com uma personagem forte e essencial para a construção da trama. Corey Stoll consegue a façanha de, em menos de um minuto de cena, fazer o público torcer o nariz para Buzz Aldrin, o que não é algo fácil de se realizar.

O ponto mais interessante no filme, no entanto, é a já citada escolha de roteiro em ater-se à humanidade de todo o ocorrido. Existem obras o suficiente que enaltecem o feito estadunidense, e que transformam o pouso lunar em algo heróico e super nacionalista. É perceptível que essa não é a escolha do diretor. O filme, inclusive, gera o questionamento de se a missão valeu ou não a pena, por ter contado com o sacrifício de muitos astronautas envolvidos. Toca-se, também, na questão dos gastos da corrida espacial em uma época turbulenta da história americana e global. E, principalmente, na construção de Armstrong como uma pessoa fria e com muitos fantasmas o assolando.

Damien Chazelle conseguiu apresentar ao mundo uma nova ótica sobre o pouso lunar, e fez isso sem demonstrar muitas dificuldades aparentes. Se a cada produção ele fica mais ambicioso, devemos esperar ansiosos pelo próximo filme de seu repertório. O diretor vem se consolidando como um dos principais da nova geração Hollywoodiana, e parece ter encontrado em Ryan Gosling um parceiro sólido para seus trabalhos.

Na UOL Play você pode assistir aos melhores filmes e séries sob demanda, além de vários canais de TV por assinatura. Tudo isso no mesmo lugar. Gostou? Experimente por 7 dias grátis! Clique e confira!
Veja Também!  Resenha | The Alienist – 2ª Temporada (Original Netflix)

Siga o Entreter-se também no Google Notícias, CLIQUE AQUI e em seguida aperte em "Seguir"  

 

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.