Outros é uma série de terror, criada por Little Marvin e protagonizada por Deborah Ayorinde e Ashley Thomas. É uma antologia e terá um tema diferente a cada temporada. Estreou no Prime Vídeo no dia 09 de abril e tem classificação de 18 anos. 

Enredo

Durante o período da Grande Migração, nos Estados Unidos, a família Emory saiu da Carolina do Norte para East Compton, um bairro de Los Angeles. Nessa época, ainda prevaleciam as leis de Jim Crow, que impunham a segregação racial no sul do país. Por ser um bairro predominantemente de pessoas brancas, a chegada dos novos moradores não é bem vista, desde o início. Como faziam com todas as famílias afro-americanas que se mudavam para lá, os vizinhos começam a perturbar a nova família, e parecem dispostos a tudo para expulsá-los e ter o bairro “para eles” novamente. Para piorar, na nova casa parece haver uma força sobrenatural e muito maligna, que não parece muito contente com a chegada dos Emory. 

O roteiro, apesar de algumas pontas soltas, faz um ótimo trabalho. O terror é muito bem construído, assim como a questão histórica e racial é bem trabalhada. As tramas individuais também são muito bem escritas e os personagens — não só os principais — são muito bem explorados e aprofundados. O roteiro consegue aproximar o público deles, mostrando suas fragilidades e seus tantos traumas com muita competência. A narrativa é fluida e dinâmica, conseguindo manter a atenção do espectador o tempo inteiro, mesmo que, em alguns momentos, a série se alongue um pouco. Ela trabalha muito bem com o recurso do passado e do presente, que ajuda o público a entender diversas coisas.

Elenco e Personagens

Os atores são, sem dúvida, um dos pontos mais positivos de Outros. Todos trabalham muito bem, inclusive a pequena Gracie (Melody Hurd), que, mesmo tão nova, se destaca muito com o seu talento.

Lucky (Deborah Ayorinde) é casada com Henry e mãe de Gracie, Ruby e Chester. Ela, ao contrário do marido, não parece querer se mudar para East Compton, provavelmente por saber a realidade que poderia encontrar ali. É uma mulher traumatizada, principalmente por causa de uma perda muito dura, mas forte e corajosa. Pelo menos até a mudança, porque a casa e o racismo da vizinhança a abalam de uma forma muito intensa.

Ayorinde tem uma atuação excelente e um carisma que faz o público torcer por ela — não apenas pela questão racial, é claro, mas, também, por causa da personagem e da atriz. Ela consegue mostrar muito bem o processo de mudança de Lucky, que é visto no dia a dia, durante os episódios. É totalmente crível e de uma intensidade que impressiona. Ela consegue transmitir todos os sentimentos da personagem, algumas vezes apenas com um olhar, com pouco. 

Henry (Ashley Thomas) é casado com Lucky e quer dar uma vida melhor para sua família. Exatamente com essa intenção, ele consegue convencê-las e se mudam para East Compton, onde, aparentemente, poderiam viver melhor. Infelizmente, um engano. Sobrevivente da guerra, ele carrega diversos traumas, que parecem apenas aflorar dentro do novo ambiente. Disposto a tentar, pelo menos, uma convivência respeitosa com os novos vizinhos e colegas de trabalho, Henry precisa engolir muito preconceito. O ator também faz um excelente trabalho: é possível sentir o desespero, a raiva, o desprezo, a angustia e o medo do personagem; o espectador consegue compartilhar os mesmos sentimentos.

Betty (Alison Pill) também se destaca. É uma personagem muito fria e com um poder de persuasão enorme. A atriz tem uma ótima atuação e convence. Ela tem uma interpretação mais contida, de poucas expressões, mas muito intensa. Faz uma personagem um tanto perturbadora, tamanha é sua crueldade e frieza, e consegue despertar no público repulsa e raiva.

 

Direção e Fotografia

A direção também faz um grande trabalho, consegue situar muito bem o espectador na década de 1950 e faz uma bela construção do terror — tanto psicológico quanto sobrenatural —, de maneira gradual e intensa. A trilha sonora, muito bem escolhida, colabora demais com a ambientação do terror. A fotografia, muitas vezes, faz um contraste com o clima tenso e obscuro da história, por ser bem colorida, principalmente na vizinhança, tanto as roupas quanto as casas, os papéis de parede e os móveis. Por também seguir o importante tema da questão racial, Outros está sendo muito comparada a Nós e Corra, outras grandes produções, mas a série segue uma linha de terror diferente, mesmo que também foque no psicológico, não só no sobrenatural.

Outros pode soar exagerada em muitos momentos — principalmente em relação ao racismo exposto —, mas é um exagero realmente necessário, porque exalta ainda mais a ignorância dos muitos personagens racistas e faz o espectador pensar em como aquelas pessoas podiam ter aquele tipo de pensamento preconceituoso e absurdo. A série consegue combinar o terror com o tema racial de forma brilhante, assim como também combina muito bem o terror psicológico com o sobrenatural, como se um não existe sem o outro. Até os últimos episódios, não se sabe se os eventos sobrenaturais da casa são reais ou se são apenas as mentes dos personagens pregando peças, por causa dos traumas e das agressões verbais diárias.

A produção tem, sim, uma violência um tanto pesada, mas isso não tira a importância nem o peso das reflexões que ela traz, ao contrário: choca tanto, em diversos momentos, que faz o público pensar no quanto o racismo foi e continua a ser cruel. O simples ato de comer uma torta pode ser extremamente angustiante e aterrorizante; uma coreografia em volta de uma fogueira pode ser assustadora e emocionante ao mesmo tempo. 

 

Cenografia e Figurino

O cenário é bem colorido, tanto fora quanto dentro das casas, como já foi dito. Grande parte das cenas acontece dentro da propriedade dos Emory e na vizinhança, principalmente em frente à residência da família; há algumas cenas, também, na antiga casa dos protagonistas (quando mostra o passado), nas residências de alguns vizinhos, principalmente na de Betty, e no trabalho de Henry. O figurino, bem colorido, remete realmente aos anos 50 e é composto por vestidos, roupas de frio — casacos, jaquetas, calças — e formais. 

 

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