É basicamente impossível não ter tido contato na vida com alguma obra de Quincy Jones, seja como produtor, empresário, musicista ou até mesmo como o taxista da abertura de Um Maluco no Pedaço. Quincy Jones é um dos maiores nomes da cultura norte-americana, com mais de 2900 músicas, 300 álbuns e 51 trilhas-sonoras gravados, e possui uma história de vida que cativa a qualquer um que a ouvir. O documentário Quincy, trazido pela Netflix, co-dirigido por Rashida Jones (Parks and Recreation), filha do músico, busca contar a história dessa lenda viva da música.

O filme se inicia com a visita de Dr. Dre, ícone do Hip-Hop, visitando a casa de Jones para gravação de seu Podcast, no qual Dre se diz nervoso devido à importância de seu entrevistado. Nesse momento fica claro para a audiência que estamos prestes a ser apresentados à história de alguém de enorme influência.

O documentário é contado, na maior parte do tempo, por Quincy, mas também através da voz várias pessoas importantes em sua vida, como sua filha Rashida e suas duas ex-esposas. Além de contar com gravações de depoimentos de personalidades como Frank Sinatra, Oprah Winfrey, Barack Obama, Kendrick Lamar, Michael Jackson e outros que tiveram contato com o músico de alguma forma.

Veja Também!  Onde Assistir | Filme Go! Festa Inesquecível online

A vida de Quincy Jones é realmente impressionante e complexa, o que torna a tentativa de documentá-la uma tarefa desafiadora. Um dos focos do longa está na proximidade emocional de Quincy com sua família. Ele deixa claro em vários momentos do filme como, mesmo não estando completamente presente na criação de seus filhos e filhas, ele sente um amor muito grande por eles e coloca a família acima de tudo. É possível notar, principalmente pela ótica de Rashida, que filma os primeiros minutos do documentário, que Jones é muito querido por todos ao seu redor, que o veem como um exemplo de vida, seja em seu trabalho e obra ou no jeito que encara a vida como um todo.

O músico, durante seus 85 anos, passou por algumas situações de quase morte, que resultaram em reviravoltas radicais no seu modo de ver e encarar o mundo. E é ao falar sobre isso que o documentário se destaca. Seja por causa da bebida, ou do fluxo insano de trabalho, Quincy se viu obrigado a mudar seu hábitos em prol de sua saúde, e o fez sem pensar duas vezes em todos os casos. E não só a sua família, mas todos nós temos a agradecer a ele por isso. Caso contrário não teríamos obras como o álbum Thriller de Michael Jackson (álbum mais vendido de todos os tempos), ou a canção We are the World (single mais vendido de todos os tempos), ambos produzidos por Jones.

Veja Também!  Ficha Técnica | Pássaro do Oriente (Original Netflix)

É realmente assustador pensar na quantidade e diversidade de trabalhos em que Quincy esteve presente, seja na música, com Sinatra e Ray Charles, ou no cinema com Spielberg e Oprah Winfrey. E mais assustador ainda pensar que o músico ainda encontrava tempo para ser um grande ativista da comunidade negra estadunidense, dentro e fora do mundo musical. Foi responsável por organizar uma convenção para tentar apaziguar os ânimos do conflito Leste-Oeste na cena de rap da década de 80, e pela organização do evento abertura do Museu Nacional de História e Cultura Afro Americana em 2016. Quincy Jones valoriza a vida como poucos, e não somente a sua. Através desses atos, ele celebra a jornada de todos os seus irmãos e irmãs, na esperança de oferecer uma luz aos que virão pela frente.

Veja Também!  Onde Assistir | Filme Preso em Casa online

O filme acerta muito em captar este lado altruísta e apaixonado de Quincy, e consegue criar uma proximidade afetiva com o público de maneira muito eficiente. A forma em si é pouco inovadora e possui alguns problemas de ritmo e de roteiro. No início o filme é apresentado pela ótica da filha, mas logo passa a se comunicar majoritariamente através de fotografias, para então focar na organização do evento de abertura do museu. Esta estruturação ficou um pouco desorganizada e confusa, sem um foco bem definido.

No entanto, tudo isso fica pequeno por se tratar da grandiosa vida de Quincy Jones. Difícil é sair do filme sem lágrimas nos olhos, ou ao menos, com um sorriso enorme no rosto. Jones é um exemplo de vida, humildade e determinação. Poucos na história tiveram um impacto tão grande em tantas gerações diferentes, e poder acompanhar essa jornada ao lado do próprio músico torna o documentário uma ótima pedida para os fãs de música e cinema.

 

Siga o Entreter-se também no Google Notícias, CLIQUE AQUI e em seguida aperte em "Seguir"   
 

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.