Rafinha Bastos é um dos primeiros comediantes nacionais a obter sucesso com a stand-up comedy, ou comédia em pé. O comediante foi eleito em 2011 como a personalidade mais influente do Twitter mundial, além de ter sido um dos pioneiros do YouTube no Brasil. Foi nesta plataforma que Rafinha lançou seu primeiro especial de Stand-up “A arte do insulto” em 2011.  Após uma polêmica no programa CQC em que era apresentador, o comediante tentou vários outros projetos na televisão sem muito sucesso. Em 2018, então, a Netflix anuncia o especial Ultimato. Será esse um novo respiro para Rafinha?

O especial começa com o comediante comentando sobre sua irreverência e sobre a “derrocada” de sua carreira. A abordagem da auto-depreciação é muito comum no stand-up mundial e ganhou força, principalmente, através de Louis C.K. (também envolvido em polêmicas gravíssimas no ano passado), porém já é lugar comum demais no meio. E é justamente nisso que Rafinha insiste em seu humor: nos lugares comuns, no antigo.

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O estilo de comédia em pé passa por renovações constantes, como é natural em todo o tipo de arte. As piadas de Jerry Seinfeld, por exemplo, inofensivas e sobre temas cotidianos, embalaram a comédia por alguns anos, é o caso das piadas sobre aeroporto e elevador, que todos conhecem. Os melhores comediantes são aqueles que ditam o rumo e influenciam os que vem após eles. O ponto é: a comédia evolui e deve evoluir. Ninguém aguenta mais piadas sobre comida de rodoviária. E grande parte do texto de Rafinha em Ultimato são piadas velhas, previsíveis e que já não possuem a mesma eficiência.

Ao tirar sarro de pessoas obesas ou com deficiência, de divórcio, de estados do nordeste o comediante acena à essa comédia antiga com muito entusiasmo. Não é preciso entrar no mérito do “politicamente correto” (entre muitas aspas) para criticar o material de Rafinha, basta se ater a comédia e sua forma. As punchlines das piadas são ou previsíveis ou muito fracas (em alguns casos elas se resumem, literalmente, a palavrões). Não há uma renovação de estrutura, como fez Dave Chapelle em seu especial para a Netflix de maneira brilhante ou, melhor ainda, como Hannah Gatsby em “Nanette”. Não há uma auto-renovação por parte do comediante brasileiro. A estrutura é essencialmente a mesma de seu show de 2011 (saem as piadas sobre Rondônia, entram as piadas sobre o Piauí).

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Mas mesmo com todos os pontos negativos do material escrito, Rafinha se mostra um comediante experiente no que diz respeito a timing, e sua falta de criatividade é quase ignorável perante seu carisma. Bastos fala muito bem, sabe quando levantar a voz, quando se dirigir ao público e sabe entregar as piadas de maneira eficiente. É uma pena que isso venha acompanhado de um texto tão fraco e cansado, que já nasceu antigo.

Infelizmente, Ultimato foi só mais do mesmo e apresentou o Rafinha que já se conhece a anos e que, em questão de humor, basicamente não evoluiu. Talvez o YouTube continue sendo a melhor plataforma para se consumir conteúdos do comediante, que se mostra muito mais engraçado em situações de espontaneidade do que ao subir em um palco.

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1 COMENTÁRIO

  1. Como pode ainda se perguntar ”porque” de estar na m*?
    ”que nojo” do braço do deficiente físico, cara?
    Ainda insistiu nisso…
    Se fosse mais esperto, saberia q ele não coça o saco nem o anus, como as pessoas que você cumprimenta.
    Isso conseguiu estragar (pra mim) o que melhora depois, mas por mim, essa parte, deveria ser AMPUTADA, do espetáculo.
    Muito mal gosto.

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