Russell Brand é conhecido por sua excentricidade, por sempre falar o que pensa, e por inúmeras polêmicas que protagonizou ao longo de sua carreira. E essas etapas de sua vida foram sempre os principais temas de seus materiais de stand-up. Ultimamente Russell tem se voltado a temas políticos e filosoficos, com toda sua ironia e personalidade única. É possível notar isso através de seu podcast Under the Skin, em que conversa com diversas pessoas notáveis sobre temáticas complexas de maneira profunda, sempre com ouvidos e mente abertos. É sobre esse autoconhecimento, essa mudança de foco, e muitas outras questões existenciais que o comediante britânico veio falar em Re:birth.

O especial começa de maneira meio confusa, atirando para todos os lados, parecendo que seria baseado, novamente, nas excentricidades do autor. Uma boa parte do início é desinteressante por esse motivo, principalmente em algumas piadas voltadas quase que exclusivamente ao público britânico. É preciso um pouco de tempo para se acostumar com o ritmo frenético de Russell Brand, que anda de um lado para o outro, fala rápido, gesticula, e pula de um assunto ao outro sem se preocupar. Assim que o espectador consegue sintonizar nessa frequência o show se torna muito mais divertido, e esse tempo é basicamente o mesmo que o texto leva para tomar uma direção clara e crescer exponencialmente em qualidade.

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Brand é uma pessoa muito inteligente, que sabe tratar muito bem de assuntos sérios quando precisa (mesmo ao fazer piadas com eles o tempo inteiro), ele trata de questões filosóficas e existenciais durante o especial, expressando-se de maneira poética como em devaneios. Nesses momentos de olhar perdido temos preciosos segundos de reflexões sobre política, sobre a vida e algumas vezes sobre assuntos muito particulares ao ator, como o nascimento de sua filha (que se transforma, em uma reflexão sobre consciência, felicidade e outras muitas coisas). Russell Brand tira sarro de si mesmo, e ao o fazer, trata do ego humano. Ele consegue atingir níveis de crítica um tanto profundo em poucas frases, entre uma piada e outra. As piadas são frutos desses devaneios e caminham por entre eles de maneira desorientante, mas ao mesmo tempo com muito gingado, é como uma dança energica entre a sátira e a crítica ou reflexão diretas.

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Poucas pessoas no meio cômico tem a presença política e intelectual de Brand e conseguem a transmitir para seu material mantendo-o engraçado. Algumas piadas são antigas e desnecessárias e parecem estar ali para preencher um vazio entre um tema e outro, mas passam rápido e quase despercebidas. É interessante notar a presença de assuntos sérios, de cunho filosófico e social nos especiais recentes de comédia. Parece que Nanette, de Hannah Gatsby, impactou o meio como um todo, renovando o formato que já se apresentava um pouco estagnado, e Russell Brand conseguiu entrar muito bem nessa valsa, trazendo um especial de comédia que não é “só um show de stand-up”.

 
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