Podemos dizer que Shirkers: O Filme Roubado é prazer inesperado. Este documentário fala sobre os únicos descolados de Cingapura fazendo um de seus únicos filmes independentes no início dos anos 90.

É a primeira vez que a diretora Sandi Tan revisita uma época em que ela e um grupo de visionários pretensiosos gravaram um longa-metragem também chamado Shirkers. O resultado é uma lembrança alegre e divertida de jovens quando tudo parecia possível.

O projeto original de Tan parecia mesmo impressionante, mas só o vemos em trechos e não ouvimos nenhum áudio original. Isso ocorre porque no coração emocional do filme está a perda de sua obra, graças ao comportamento inexplicável de um mentor, Georges. O homem manteve todo o material “em cativeiro” por 25 anos.

Tan entrelaça brilhantemente detalhes da estranha dinâmica entre ela e Georges. Há elementos de cinema clássicos em todos os pontos de Shirkers: O Filme Roubado. Georges era um mentiroso, mas até para si mesmo. E suas mentiras manipuladoras eram infundidas com uma intensa cinefilia.

Tan tem uma linha fina no absurdo, e até sugere que os Shirkers originais anteciparam cenas de outros filmes independentes do começo dos anos 2000. Ela e sua equipe estavam certamente à frente de seu tempo e uma série de admiradores se perguntava o que poderia ter sido.

Shirkers: O Filme Roubado não é apenas um filme sobre um filme

O documentário também é uma elegia para uma Cingapura perdida. Há uma pungência surpreendente na sobreposição de cenas urbanas contemporâneas. Elas são super desenvolvidas em cima das lojas antigas e paisagens verdes. Paisagens essas onde Tan e seus colegas atores tiveram seus momentos de diversão.

Ela acabou deixando a ilha. Isso sugere que teve que fazê-lo quando seu coração se partiu quando seu filme editado nunca se materializou. Essa sensação de desgosto ressoa com qualquer um que se sinta arrependido pelo idealismo de sua juventude. Uma imagem de um tempo em que acreditamos que qualquer empreendimento criativo é possível.

Mas isso é muito mais do que um documentário sobre um filme. É sobre mulheres jovens quebrando as regras estabelecidas em um país conservador. O processo de fazer isso era muito mais poderoso do que terminar o filme propriamente dito.

 


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