Surdo, o longa espanhol da Netflix lançado na última segunda-feira (3) de 2h01min, é dirigido por Alfonso Cortés-Cavanillas e tem Asier Etxeandia no papel do protagonista Anselmo Rojas.

Sobre o enredo

Surdo é um drama ambientado na Espanha de 1944, ou seja, os personagens vivem os desdobramentos da guerra civil, numa resistência ao governo de Franco. Logo de início, Anselmo e seus companheiros, membros de um grupo de guerrilha, se encontram com soldados franquistas. A missão deles é sabotar uma ponte como preparação para a Operação Reconquista, cujo objetivo era derrubar o regime ditatorial através de um levante popular. Contudo, essa missão acaba falhando e os próprios guerrilheiros são atingidos pela explosão em menos de dez minutos de filme. Como consequência, a maioria dos homens acaba morrendo, restando apenas Anselmo, que fica surdo pelo estrondo, e seu amigo Vicente, que é capturado.

A partir daí, Anselmo enfrenta sozinho a recém perda auditiva enquanto foge por sua vida. No caminho, ele se encontra com algumas pessoas que tentam ajudá-lo, mas quase sempre isso acaba comprometendo-as. Ele também sofre muito por ter os franquistas em seu encalço, e seu principal conflito é travado com uma mercenária russa requisitada especialmente para sua captura. Como se não fosse o bastante, Anselmo precisa se resolver na natureza, abrigando-se na floresta, desprotegido contra a ameaça de animais selvagens.

Na verdade, o filme não foca muito no plano histórico, mas ele serve como contexto para a construção do personagem Anselmo. Segundo a Netflix, o filme foi inspirado na obra de Ernest Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram, um romance quase biográfico sobre a condição humana em meio a uma guerra. As aflições do protagonista ultrapassam a tela e fazem o espectador sentir os dilemas por que ele passa. O desfecho, em especial, é causador de uma pesada reflexão sobre a sobrevivência e suas consequências.

Personagens e elenco

A interpretação de Etxeandia é distinta, sua sensibilidade à angústia que toma conta do personagem admira. O ator foi indicado, em 2016, ao Prêmio Goya de melhor ator por seu papel em La novia. Quatro anos depois, o espanhol continua fazendo um emocionante trabalho, dessa vez representando um soldado em crise.

Marián Álvarez interpreta Rosa Ribagorda, esposa de Vicente e principal apoiadora de Anselmo, uma mulher forte, que suporta as dores de ver dois o marido e seu amigo reféns da perseguição militar.

Direção e fotografia

Alfonso Cortés-Cavanillas e Adolpho Cañadas fazem parte da equipe responsável por produzir tão bem esse drama. Surdo teve as câmeras muito bem trabalhadas, tanto durante as cenas comuns, quanto num momento específico de troca de perspectiva: nos encontros entre Anselmo e demais personagens, a câmera alternava entre os dois pontos de vista, e acompanhava a ausência de sons quando sob a visão de Anselmo. Essa dinâmica tornou mais próxima a experiência do espectador em compreender a confusão do espanhol nesses momentos.

Cenografia e figurino

Muito pouco foco foi dado aos trajes dos personagens, a não ser pela óbvia adequação ao período histórico-político e as ocupações dos personagens enquanto soldados. Quanto à cenografia, a maior parte das filmagens foram em tomadas externas, e aproveitaram muito do uso de elementos naturais para a composição das cenas. Por exemplo, o encontro durante a tempestade com o lobo e a interferência dos relâmpagos, a neblina na despedida do rio e a neve na cena final.

Curiosidades

Além da afirmação da própria Netflix sobre as inspirações de Surdo, encontra-se uma referência na novela gráfica homônima de David Muñoz e Rayco Pulido. É bom lembrar que Muñoz já trabalhou com Guillermo del Toro no roteiro de A espinha do Diabo, o que explica a experiência com o tema político de uma guerra civil na contação de histórias. Inclusive, os quadrinhos ganharam uma reformulação em 2018, ano em que sua edição original completou 10 anos, e agora colecionam também a adaptação cinematográfica, que no geral apresenta muitas semelhanças com o estilo original.

Capa digital dos quadrinhos publicada pela editora Artiberri

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13 COMENTÁRIOS

  1. Buenas, nao podemos dizer que o filme e ruim
    Nao chega a tanto. Pode ser usado nas universidades como exemplo de como nao fazer filme. Ou, como fazer um filme ruim. Só o roteiro é ruim. O resto é razoável. Mas, sem uma historinha mais ou menos como fazer , então? Acho que meu estado de choque vai passar. Mais que 2hs bem perdidas, as minhas…

  2. O filme é bem cru, ao estilo documentário e de dificil digestão pra estômagos mais frágeis e mentes mais fracas. Enfim, interpretações sensíveis e sofrimentos à flor da pele. Algumas aulas de redação ajudariam a expressar melhores opiniões/argumentos nos comentários deste espaço…

  3. eu gostei muito do filme,é um estudo da guerra e da violência e com a quebra de expectativa de um protagonista genérico que mesmo sendo o maior causador das mortes ele chora de medo,isso sem falar da fotografia linda e toda a ambientação.

  4. Gostei muito! A angústia que toma conta de nós durante o filme, me fez parar 5 minutinhos para respirar e retomar! A guerra só traz o mal e as consequências são devastadoras !
    Grande filme !

  5. Um roteiro muito realista para um filme, um local onde estamos acostumados a ver super humanos onde os mocinhos vencem no final, a realidade realidade nua é crua nunca é bem aceita até mesmo para os amantes da dramaturgia como eu esperava um pouco mais de contexto fictício, mas para o seu gênero de (realidade nua e crua) bons atores mas por toda obra minha nota é um 2 no quesito entretenimento! E 8 em realismo.

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