O terror asiático raramente decepciona. Sua forma de tratar o gênero e de construir a atmosfera do horror são acima da média. Com filmes de qualidade tão boa (como Ringu, Medo, Audition, Espíritos – A morte está ao seu lado e Visões), se espera muito do terror oriental. Mas a verdade é que Suzzanna: Enterrada Viva está longe, muito longe da qualidade desses longas citados e do mercado de terror asiático.

O filme da Indonésia se baseia em uma lenda nacional e conta a triste história de Suzzanna, uma mulher que vive com o marido e os empregados. Satria, seu esposo, está sempre ocupado, trabalhando, e precisa se ausentar de casa, por alguns dias, para ir ao Japão, a trabalho. Os funcionários da fábrica de Satria, insatisfeitos com o salário e com o fato de o homem não querer dar o aumento tão desejado, decidem invadir sua casa, na sua ausência, e roubar seu carro e alguns pertences. Tudo poderia ter sido apenas um roubo, mas Suzzanna os descobre e começa uma briga, que resulta na sua morte. A lenda que inspira o longa conta que uma mulher grávida, ao ser assassinada, torna-se um espírito em busca de vingança, chamado Sundel Bolong. A partir daí, começa a saga incansável do espírito de Suzzanna, para se vingar dos seus assassinos. 

O roteiro da obra não é bom e não chama atenção, embora a lenda seja até interessante. Parece apenas mais um filme sobrenatural repleto de clichês e tentativas de sustos frustrantes. E é exatamente isso. A narrativa é linear e colabora bastante para que possamos compreender os acontecimentos do longa e a história que o inspirou. Há um buraco no roteiro: Sundel Bolong (termo que significa “prostituta com buraco nas costas”) diz que a mulher assassinada deve estar grávida fora do casamento, e Suzzanna é casada.

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A abertura do filme possui um toque de terror clássico bem interessante, com uma trilha sonora um tanto assustadora. Logo no início, há uma homenagem a Suzanna Martha Frederika van Osch, famosa atriz indonésia, conhecida como “Rainha do Terror Indonésio”. O nome da protagonista seria, então, por causa dela? A própria fez um filme inspirado na mesma lenda: Sundel Bolong, de 1981. Há uma passagem em Suzzanna: Enterrada Viva em que os personagens estão assistindo a um filme de terror com a mesma temática, o que fortalece ainda mais a crença na homenagem. Até mesmo as atrizes se parecem. 

A direção do longa é de razoável para ruim. A maioria das cenas em que o espírito aparece não passam veracidade alguma e são mal feitas. As atuações  são bem medianas, com destaque para os empregados, principalmente os da casa de Suzzanna. Eles são hilários e arrancam muitas risadas. O curandeiro, que tenta proteger os bandidos, também é bem engraçado. Luna Maya, como a protagonista, apesar de ter bons momentos, está apagada, mas creio que isso se deva mais à direção. A fotografia é razoável e se destaca por conseguir intensificar a atmosfera de horror do longa, auxiliada pela boa trilha sonora. Ambas conseguem criar um ambiente propício ao terror. O destaque do figurino vai para as roupas da personagem principal, que são sempre em um tom claro, o que remete ao vestido branco que o espírito de Sundel Bolong utiliza. 

Suzzanna: Enterrada Viva é um filme ruim, mas com pontos positivos. É extremamente clichê e não assusta em momento algum, mas é divertido e consegue arrancar algumas risadas. É tão exagerado e fora da realidade que se torna muito risível. A vingança de Suzzanna é convincente e conquista a torcida do espectador. Sim, o filme consegue te fazer torcer por um espírito vingativo, que quer não só matar, mas torturar os seus assassinos frios e atrapalhados. É um filme interessante para quem quer dar umas boas risadas e conhecer um pouco mais sobre a lenda de Sundel Bolong e a cultura da Indonésia.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Meu Deus…quantas criticas negativas!!!!!!…ao acaso esquecem-se que um filme de terror, tem como premissa o fato de entreter???…não que isso justifique os erros e falhas da trama, porém o cinema asiático SEMPRE entrega algo bem melhor que costumamos chamar de horror aqui no ocidente.

    • Boa noite, Menezes. Eu gosto bastante do cinema asiático e deixei isso claro, logo no início da resenha. Adoro diversos filmes de terror orientais, mas Suzzanna – Enterrada Viva não é um bom filme e todos os aspectos que destaquei deixam isso claro. Um filme de terror tem que entreter sim, mas assustar ou provocar medo, na minha opinião, é indispensável. E Suzzanna não consegue, infelizmente.

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