Quem nunca se viu enfeitiçado pelas páginas de um livro? Eles têm o poder de fazer a mente viajar a lugares distantes e desconhecidos, nos mostram novas culturas, nos proporcionam inúmeros conhecimentos. Muitos deles nos causam um impacto tão forte, que são inesquecíveis. E é exatamente isso o que acontece com o personagem Raimund Gregorius, que, ao ler um livro, apaixona-se pelas palavras do autor e cria um fascínio por ele e sua vida. Tudo começa quando Raimund salva uma mulher, que tentava tirar a própria vida, impedindo-a de se jogar de uma ponte. Ao levá-la para sua sala de aula, ela resolve ir embora e simplesmente sai, deixando para trás seu casaco, o qual continha um livro e uma passagem de trem para Lisboa. O homem se sente tão encantado pelo livro, que decide usar a mesma passagem e parte para Lisboa, em uma busca obstinada pelo autor da obra, Amadeu do Prado.

Trem Noturno para Lisboa é inspirado no livro de Pascal Mercier e possui uma narrativa não-linear, que se mistura entre passado e presente. Apesar do ritmo cadenciado, o filme tenta, o tempo inteiro, correr com a história, apresenta as situações e os personagens (do passado e do presente) de maneira muito acelerada, sem se aprofundar muito em nenhum detalhe. O longa não nos permite conhecer os personagens a fundo, com exceção de Amadeu, que é em quem se concentra a trama. Isso incomoda, porque parece que o filme apenas se preocupa em mostrar tudo o que pode no menor tempo possível, sem se preocupar com a qualidade que entregará no final. Prova disso é a facilidade com que Raimund conhece a história de vida de Amadeu: passa pouquíssima veracidade, por conta da forma acelerada que a narrativa se apresenta. 

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A fotografia é muito bonita, com cores vivas e paisagens belíssimas de Lisboa. O figurino não chama atenção e se divide entre duas épocas: 1970 e hoje. A direção conduz bem as cenas, inclusive as que mostram o passado e a vida de Amadeu. As atuações são o ponto forte da produção e o que, de fato, a sustenta. O elenco é de uma qualidade muito boa, com destaque para Amadeu (Jack Huston): ele consegue transmitir veracidade em todas as cenas e nos mostra com competência as nuances de seu personagem. Seu carisma é grande e, mesmo quando desaprovamos alguma atitude de Amadeu, continuamos a torcer por ele e a querer conhecer mais sobre a sua belíssima, mas triste história. Jeremy nos passa verdade na busca obsessiva de Raimund pela história do autor de “O Ourives das Palavras”. Charlotte Rampling, como Adriana, nos mostra com muita competência e delicadeza uma irmã de luto, mas que parece não se conformar com o que aconteceu com Amadeu, seu irmão. 

Trem Noturno para Lisboa é uma bela obra e isso se deve às atuações, à fotografia e à referência histórica. Tinha tudo para ser um ótimo longa, mas se perde ao correr demais e acelerar as situações. Se tudo fosse mostrado com mais clareza e se nos permitisse conhecer melhor os personagens, seria uma obra de outro nível. É um longa que fala sobre mudanças (sejam políticas ou pessoais), sobre a coragem que necessitamos e as dificuldades que enfrentamos, ao realizá-las, além de nos mostrar um importante período histórico de Portugal e nos presentear imagens belíssimas da cidade. Está longe de ser um grande filme, mas vale a pena ser assistido, principalmente se você quer conhecer Lisboa e a Revolução dos Cravos, que destituiu o governo ditatorial de Salazar. 

E você? Já assistiu ao filme? Conte pra nós o que achou!

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